Advogada que afirma ser casada com Elon Musk encurralou vizinha em elevador

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Vídeo mostra advogada confrontando vizinha em condomínio de Águas Claras; moradores relatam episódios recorrentes de conflitos. (Foto: Instagram)

A advogada de 42 anos acusada de perturbar o sossego dos moradores do prédio onde vive, em Águas Claras (DF), já havia sido exposta após chutar a porta de uma vizinha usando apenas uma toalha. Ela também teria intimidado uma antiga vizinha dentro do elevador. Em um novo vídeo, aparece confrontando a moradora e dizendo: “Imagina meu ódio por você, dessa sua cara nojenta”.

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“Antes de a gente entrar no elevador, ela disse que não adiantava fugir. Porque ela mesma teria apertado o botão para a gente conversar”, afirmou a vítima, que pediu para não ser identificada.

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No elevador, a advogada falou sobre a possibilidade de a vizinha e a acompanhante dela voltarem para o Rio de Janeiro, cidade natal da moradora, “para preservar a privacidade dela com Elon Musk”.

A moradora vive no 10º andar, o mesmo da advogada, onde são frequentes gritos relacionados à suposta relação que a mulher diz manter com o bilionário. Diante das afirmações fora da realidade, o nome da autora foi preservado, pois é possível que ela tenha algum transtorno mental.

Ela morava no apartamento cuja porta a advogada chutou na terça-feira (20/10). Foi também durante o período em que vivia no imóvel que teve a porta atingida por golpes de uma placa de ferro.

“Nesse dia, ela cismou que eu tinha entrado na casa dela e roubado as coisas. Ficou me acusando no corredor e meio que me encurralou no elevador, dizendo que teria volta se eu não fosse embora para o Rio. Era muito perturbador viver naquela situação, sem ter paz dentro da própria casa, que deveria ser um lugar de descanso e segurança”, contou a moradora.

CHUTES EM PORTA DE NOVA VIZINHA

Na terça-feira (20/10), enrolada em uma toalha, a advogada gritou e chutou a porta de uma vizinha até quase derrubá-la. A moradora é a nova ocupante do apartamento da vítima do elevador, que teve a porta atingida por barras de ferro.

A nova moradora, de 30 anos, vive no 10º andar do condomínio há cerca de seis meses. Ela conta que, desde que se mudou, ouve a advogada falar sozinha em voz alta dentro do apartamento e, às vezes, gritar pelos corredores.

O episódio começou às 8h52, quando a advogada bateu à porta da vizinha. A força dos chutes quase fez a estrutura ceder. “Precisei segurar a porta para impedir que ela caísse. Antes de mim, outra moradora já foi atacada com uma barra de ferro na porta, porque ela implica com esse apartamento, que fica bem de frente para o dela”, relatou.

Segundo uma vizinha, os conflitos teriam relação com a crença da advogada de que é casada com o empresário Elon Musk e de que os dois precisam de espaço. No vídeo, é possível ouvir a mulher repetir o nome do bilionário.

Os moradores dizem que chamam a Polícia Militar e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) durante os episódios, por acreditarem que a mulher esteja passando por um surto psiquiátrico.

“Nunca há punição. Ela costuma dar carteirada, dizendo que é advogada, e demonstra confiança de que não sofrerá consequências”, relatou a moradora.

INJÚRIA RACIAL

Os relatos de conflitos também incluem acusações de injúria racial e ameaças de morte. Em maio deste ano, uma vizinha afirma ter sido ofendida pela advogada, que aparece em um vídeo chamando a moradora de “preta suja”. Depois do episódio, a vítima registrou boletim de ocorrência por injúria racial na 21ª Delegacia de Polícia, em Águas Claras.

“Ela já me ameaçou de morte duas vezes: uma quando eu estava saindo de casa e outra, na semana retrasada, quando passei por ela na rua. Em outra ocasião, tentou me agredir, mas meu irmão e minha mãe estavam presentes”, relatou a moradora.

AÇÃO JUDICIAL

As reclamações dos moradores chegaram à Justiça. O condomínio Edifício Uptown Residence pediu o afastamento da advogada do imóvel, sob a alegação de que multas e notificações não foram suficientes para solucionar os conflitos. Como provas, apresentou boletins de ocorrência por ameaça e injúria racial, relatos de moradores e vídeos. A administração também afirmou que um incêndio no apartamento colocou os demais residentes em risco.

Em junho de 2026, o TJDFT negou o afastamento imediato. Na decisão, o desembargador Roberto Freitas Filho declarou que retirar alguém da própria casa é uma medida excepcional. Para ele, os documentos apontavam um conflito relevante, mas ainda era preciso avaliar melhor a gravidade e a repetição dos episódios, confrontar as versões e assegurar o direito de defesa da moradora.

A decisão não encerrou o processo. A Justiça apenas rejeitou a retirada imediata da advogada, e o pedido do condomínio ainda será julgado.

Procurado, o síndico questionou a demora na adoção de providências diante das ocorrências relatadas pelos moradores.

“Tem um ponto que ninguém entende. Por que, com tantas ocorrências e ação de despejo, a Justiça não anda com as providências?”, afirmou.

A defesa da advogada foi procurada para comentar as denúncias e o processo judicial. O espaço segue aberto para manifestação.

Tags: Águas Claras, PCDF

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