
Após o divórcio, redescobrir a vida afetiva e sexual pode levar tempo — e cada pessoa tem o próprio ritmo. (Foto: Instagram)
Para as mulheres, especialmente, o divórcio pode representar uma fase turbulenta e difícil de superar. Depois de um casamento longo, muitas têm dificuldade para redescobrir a própria sexualidade, muitas vezes por acreditarem, de forma equivocada, que já passaram da idade de viver novas experiências. Embora esse sentimento seja comum, ele não é saudável e pode ser enfrentado com comunicação clara.
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Em entrevista, o especialista em inteligência emocional Rogério Silva aponta os principais sentimentos ligados a esse cenário: medo de sofrer, receio da rejeição, vergonha do próprio corpo e dificuldade de se abrir para o novo.
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“Esse recomeço pode envolver vontade e receio ao mesmo tempo. A insegurança, por si só, não quer dizer que a pessoa não esteja preparada. O essencial é respeitar o próprio ritmo e não fazer da retomada da vida afetiva ou sexual uma obrigação, uma disputa com o ex-parceiro ou uma prova de superação”, afirma.
O QUE PROVOCA TANTO RECEIO?
Segundo o especialista, situações como traição, controle excessivo e desvalorização podem fazer com que alguém saia de uma relação carregando sentimentos negativos. “Isso pode se manifestar na dificuldade de confiar, na necessidade frequente de confirmação, no afastamento emocional ou no medo de expressar desejos e limites”, diz.
Para quem carrega marcas emocionais, o maior desafio é reconhecer que uma nova pessoa pode ser diferente da anterior.
“A confiança pode ser construída aos poucos, observando coerência, respeito e disposição para conversar. Quando as experiências anteriores causam sofrimento persistente ou dificultam muito a aproximação, o acompanhamento psicológico pode ajudar a elaborar o que aconteceu”, ressalta.
DICAS PRÁTICAS
Rogério lembra, porém, que não é necessário estar completamente feliz para iniciar uma relação afetiva e sexual. A recomendação do especialista é avaliar se existe interesse genuíno ou se a busca por alguém é apenas uma tentativa urgente de escapar da solidão. Também é importante perceber se há espaço para escolhas conscientes, honestidade e respeito aos próprios limites.
De acordo com ele, algumas perguntas podem ajudar:
- “Consigo respeitar meu ritmo?”
- “Posso dizer não por medo de perder essa pessoa?”
- “Estou disponível para conhecer alguém como ele é, sem compará-lo o tempo todo?”
E QUANDO ESTIVER COM ALGUÉM?
Seja uma relação apenas sexual ou também romântica, Silva destaca que a comunicação deve acompanhar o desenvolvimento do relacionamento. Antes de uma relação sexual, por exemplo, é importante haver abertura para conversar sobre consentimento, proteção, limites e cuidados com a saúde sexual.
“Não é preciso contar tudo sobre o passado nem revelar detalhes para demonstrar confiança. Pode bastar dizer: ‘Passei por uma experiência difícil e prefiro ir com calma’ ou ‘para mim, é importante saber o que você espera dessa relação’. O objetivo é preservar a privacidade sem colocar sobre o novo parceiro a responsabilidade de reparar dores anteriores”, conclui.
As notas e reportagens da coluna Pouca vergonha podem ser acessadas na página da coluna.
Tags: divórcio, relacionamento, saúde mental







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