Com vídeo e áudio, IA analisa dados e contribui para preservar a biodiversidade

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Inteligência artificial acelera o monitoramento da biodiversidade no Brasil, mas especialistas ressaltam que a conservação depende da ação humana. (Foto: Instagram)

Maria Alves | 25/10/2026 02:00

A inteligência artificial (IA) tornou-se uma importante aliada para agilizar o monitoramento de florestas e espécies ameaçadas no Brasil. Com ferramentas automatizadas, pesquisadores processam grandes volumes de imagens, sons e dados geográficos em pouco tempo, substituindo tarefas manuais demoradas e permitindo respostas mais rápidas na gestão ambiental.

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O rastreamento de animais ameaçados de extinção ficou mais rápido com o uso da visão computacional. Armadilhas fotográficas instaladas em áreas naturais registram imagens que sistemas de IA analisam automaticamente para identificar espécies e padrões individuais na pelagem de animais como onças-pintadas.

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A bióloga Andrée de Ridder Vieira, autora de estudo sobre tecnologias emergentes e educação socioambiental vinculada ao Instituto Supereco, afirma que “a inteligência artificial tem contribuído significativamente para tornar o monitoramento da biodiversidade mais rápido, organizado e eficiente”. Ela ressalta que, embora essas ferramentas acelerem o trabalho, especialistas precisam validar os resultados para evitar erros de contagem.

O analista de conservação sênior do WWF-Brasil, Felipe Feliciani, também comenta a adoção de plataformas automatizadas: “Um trabalho que a gente faz em campo com 60 a 70 câmeras por 60 dias pode gerar mais de 10 a 15 mil registros. Antes era preciso fazer a triagem desses registros um a um, o que toma bastante tempo. A IA traz muito mais celeridade”, afirma.

SATÉLITES E BIOACÚSTICA NO COMBATE AO DESMATAMENTO E A INCÊNDIOS

Na luta contra a degradação ambiental, a tecnologia é usada em diferentes frentes, da órbita terrestre ao solo. O especialista em inteligência artificial Kenneth Corrêa explica que o monitoramento do desmatamento combina camadas, como alertas quase diários de sistemas de mapeamento e imagens de satélites de alta resolução.

Além do acompanhamento visual, a bioacústica permite que microfones autônomos instalados nas copas das árvores reconheçam sons específicos, como motosserras, tiros e cantos de aves ameaçadas.

“O áudio captado na mata vira um espectrograma, uma espécie de fotografia que mostra frequência e intensidade ao longo do tempo, e essa imagem passa pelo mesmo tipo de rede neural que reconhece rostos em fotos”, detalha Côrrea.

O PAPEL INSUBSTITUÍVEL DA AÇÃO HUMANA

Apesar dos avanços tecnológicos, especialistas concordam que a IA serve como ferramenta de apoio e não substitui a presença humana. Questões sociais, culturais e econômicas tornam necessário manter o diálogo com comunidades locais e povos tradicionais.

“A tecnologia ajuda a identificar problemas e possibilidades, mas são as pessoas que precisam transformar essas informações em atitudes concretas de proteção ambiental”, conclui Andrée.

Felipe Feliciani reforça essa avaliação ao lembrar que “em última instância, não tem como fazer conservação sem pessoas, porque sempre que formos falar de quais são as ameaças que a fauna silvestre enfrenta, vamos acabar falando de ameaças que estão diretamente relacionadas à ocupação humana”.

Tags: ciência, diversidade, Inteligência Artificial

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