
Estudo exploratório associou baixas doses de aspirina a menor risco de demência em idosos com um perfil genético específico, mas também encontrou maior risco de sangramentos graves. O resultado não é uma recomendação para usar o medicamento. (Foto: Instagram)
Isabella França | 25/10/2026 13:20
O uso de baixas doses de aspirina foi associado a uma redução de aproximadamente 70% no risco relativo de demência entre idosos com um perfil genético específico. O resultado, obtido em pesquisa da Universidade Monash, ainda é exploratório e não foi validado.
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Nesse mesmo grupo, porém, o risco de sangramentos graves foi cerca de duas vezes maior. Por isso, o achado não deve ser interpretado como uma recomendação para começar a tomar o medicamento contra a demência.
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A pesquisa da Universidade Monash, na Austrália, foi publicada na revista Alzheimer’s & Dementia. A análise reuniu dados genéticos de 13.541 participantes do estudo ASPREE, que comparou o uso de aspirina com um placebo, substância sem o princípio ativo do medicamento.
O QUE É DEMÊNCIA?
Demência é um conjunto de sinais e sintomas que inclui esquecimentos frequentes, repetição de perguntas, perda de compromissos ou dificuldade para lembrar nomes.
Atualmente, o SUS oferece diagnóstico e tratamento multidisciplinar a pessoas com demência, incluindo Alzheimer, em centros de referência e unidades básicas de saúde.
O diagnóstico precoce permite adotar medidas terapêuticas que podem retardar os sintomas, aliviar a carga familiar e melhorar a qualidade de vida.
Dados do Ministério da Saúde indicam que até 45% dos casos de demência podem ser prevenidos ou retardados.
EM QUAL GRUPO HOUVE MENOS CASOS
A associação foi observada entre os participantes com as pontuações genéticas mais altas relacionadas à quantidade de plaquetas, componentes do sangue que contribuem para a formação de coágulos. Esse grupo reunia os 20% com as maiores pontuações.
A classificação leva em conta um conjunto de variações no DNA associadas à contagem de plaquetas. Assim, o resultado diz respeito a um perfil genético, e não apenas à quantidade de plaquetas medida em um exame de sangue comum.
Entre os idosos com esse perfil, aproximadamente 1% dos que receberam aspirina desenvolveram demência, ante 3,3% dos que receberam placebo. A redução de cerca de 70% é relativa à comparação entre os grupos; em números absolutos, a diferença foi de aproximadamente 2,3 pontos percentuais.
Os autores consideram a descoberta exploratória e ainda sem validação independente. A próxima etapa é verificar o resultado em outras populações e conduzir um ensaio clínico específico com pessoas daquele perfil genético. Até que isso ocorra, o achado não serve de base para afirmar que a aspirina pode prevenir demência, sobretudo diante do aumento dos sangramentos graves.
Tags: Demência, medicamentos, Saúde







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