
Einstein repudia declarações discriminatórias de cardiologista que disse não atender apoiadores do PT. (Foto: Instagram)
Carlos Carone | 25/10/2026 16:13
O Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, respondeu com veemência e tom institucional às declarações recentes do cardiologista Clederson Henry Dina. Em nota oficial enviada à imprensa, a instituição afirmou que repudia manifestações discriminatórias e ressaltou que opiniões individuais de seus profissionais não representam o posicionamento do hospital. O médico publicou nas redes sociais que não “atenderia petistas vagabundos”.
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“O Einstein conta com cerca de 20 mil médicos, entre autônomos e contratados, que atuam no hospital. Declarações individuais desses profissionais não representam o posicionamento institucional da organização. O Einstein repudia de forma veemente qualquer manifestação ou ação discriminatórias e não tolera condutas que atentem contra o respeito e os direitos de qualquer pessoa. Esses princípios são inegociáveis para a organização e fazem parte das regras gerais de atividade médica do Einstein. O caso mencionado está sendo tratado de acordo com o código de ética, princípios e diretrizes institucionais”, declarou o hospital em comunicado.
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A controvérsia começou depois que o cardiologista Clederson Henry Dina publicou ataques a apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em suas redes sociais e declarou que se recusava a atender eleitores do partido. Em uma publicação no Instagram, escreveu: “Não atendo petistas vagabundos”. Ele também afirmou ter “recursos” para vetar pacientes, mas não explicou como identificaria a orientação política de quem procurasse atendimento.
PUBLICAÇÃO APAGADA
A postagem foi removida antes de completar 24 horas no recurso stories, mas provocou forte reação negativa. Após a onda de críticas, o médico tornou sua conta privada neste sábado (24/10). Antes do episódio, a biografia do perfil mencionava sua atuação no Einstein e na clínica do infectologista David Uip; as duas referências foram retiradas depois.
A Associação Paulista de Medicina (APM) também comentou o caso e ressaltou que a conduta pública da categoria deve seguir limites éticos rigorosos. “A entidade ressalta que divergências políticas são legítimas, mas não devem dar espaço a ataques pessoais ou discursos de intolerância”, afirma o texto divulgado pela associação, que acrescenta que a atuação dos profissionais de saúde deve ser guiada pelo respeito e pela ética.
A recusa intencional de atendimento por razões ideológicas vai contra as normas que regulam a medicina no Brasil. A Resolução nº 2.217/2018 do Conselho Federal de Medicina (CFM), que institui o Código de Ética Médica, proíbe discriminação de qualquer tipo — por credo, raça, orientação sexual ou posicionamento político. Além disso, o artigo 7º do capítulo III da norma proíbe expressamente a recusa de atendimento em situações de urgência e emergência quando prestar assistência for uma obrigação do profissional.
O caso continua em apuração e sob análise das diretrizes internas do Hospital Israelita Albert Einstein. Há tentativa de contato com o médico Clederson Henry Dina.
Tags: Hospital Israelita Albert Einstein, Lula, médico, PT, São Paulo







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