
Um mês sem álcool pode ajudar o fígado, mas não apaga os efeitos do consumo excessivo ao longo do ano. (Foto: Instagram)
Durante outubro, algumas pessoas deixam de consumir bebidas alcoólicas por 31 dias, em adesão ao Sober October (Outubro Sóbrio, em tradução livre). O desafio começou como uma campanha de arrecadação de fundos para uma instituição do Reino Unido, mas vai além da questão social. Interromper a ingestão de álcool, ainda que por um período limitado, traz benefícios à saúde, especialmente ao fígado.
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Segundo Natália Trevizoli, hepatologista do Hospital Santa Lúcia Sul (HSLS), em Brasília, ficar sem consumir bebidas alcoólicas, mesmo por 30 dias, já proporciona benefícios importantes ao fígado. Ela explica que, nesse intervalo, o órgão deixa de sofrer os efeitos tóxicos do álcool, o que ajuda a reduzir o acúmulo de gordura e a inflamação hepática.
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“Em pessoas com alterações leves no fígado, as enzimas hepáticas e a esteatose podem melhorar em poucas semanas”, ressalta a médica.
ÁLCOOL E DANOS AO FÍGADO
Natália afirma que o álcool é tóxico para o fígado. “Durante o metabolismo da substância, são formados compostos que causam lesões nas células hepáticas, acúmulo de gordura e inflamação.” Ela acrescenta que, com o tempo, essas alterações podem evoluir para fibrose, cirrose e até câncer.
“Um ponto importante é que essas doenças podem surgir sem chamar atenção, sem sintomas nas fases iniciais. Além disso, a suscetibilidade aos danos varia de pessoa para pessoa, e não há quantidade de álcool totalmente livre de riscos à saúde”, observa a médica, que atua na área de transplante de fígado.
VOLTAR A CONSUMIR BEBIDAS ALCOÓLICAS
De acordo com Natália Trevizoli, retomar o consumo de bebidas alcoólicas depois da pausa do Outubro Sóbrio não faz os benefícios sumirem de imediato. No entanto, voltar a beber tende a favorecer o reaparecimento das alterações hepáticas, sobretudo quando a pessoa retorna ao padrão de consumo anterior.
A hepatologista destaca que é importante compreender que passar um mês sem beber não compensa os efeitos de uma ingestão excessiva durante o restante do ano.
“O ideal é usar essa experiência para repensar os hábitos e buscar reduzir o consumo de forma contínua ou, de preferência, manter a abstinência”, sugere a médica.
“Para quem já tem doença hepática relacionada ao álcool, a recomendação é manter abstinência completa”, acrescenta a especialista. Ela ressalta que um mês sem bebidas alcoólicas tende a trazer benefícios reais ao fígado, mas não elimina os danos causados pelo consumo excessivo ao longo do ano. “O mais importante é transformar essa pausa em uma mudança de hábito”, conclui.
Tags: álcool, bebidas alcoólicas, fígado, saúde







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