
Lula vence Flávio Bolsonaro no segundo turno, mas terá de negociar com um Congresso de oposição fortalecida. (Foto: Instagram)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu historicamente, neste domingo (25/10), o senador Flávio Bolsonaro (PL), mas terá pela frente um país dividido e um Congresso Nacional com oposição fortalecida.
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O petista superou a desvantagem do primeiro turno, algo inédito nas eleições presidenciais desde 1988, e garantiu seu quarto mandato, com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário.
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Apesar de vencer por mais de 4 milhões de votos, Lula terá de negociar com um Legislativo mais conservador.
Em seu discurso de vitória, em São Paulo, o presidente reconheceu os desafios, mas disse que vai trabalhar com a composição escolhida pelos eleitores.
“Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu. E é com ele que eu vou votar, vou trabalhar e vou aprovar as coisas”, declarou o presidente.
O PL, partido de Flávio Bolsonaro, terá as maiores bancadas nas duas Casas a partir de fevereiro de 2027. Veja a composição prevista:
- Câmara: 121 dos 513 deputados serão do PL, contra 70 do PT.
- Senado: o PL terá 29 dos 81 senadores. O PT contará com dez.
- Comando do Congresso: Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) articulam a reeleição para as presidências da Câmara e do Senado, respectivamente.
DIFICULDADES DESDE 2023
A relação com o Legislativo já foi um dos principais entraves do terceiro mandato de Lula.
Em 2023, a medida provisória que reorganizou a Esplanada dos Ministérios quase perdeu a validade e acabou aprovada no último dia do prazo, com alterações contrárias aos interesses do governo, sobretudo nas atribuições dos ministérios do Meio Ambiente e dos Povos Indígenas.
Naquele período, o então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), criticou a articulação política do Planalto e cobrou mais participação dos parlamentares nas decisões do Executivo.
O desgaste também afetou Alexandre Padilha (PT), então ministro da Secretaria de Relações Institucionais, que foi substituído por Gleisi Hoffmann (PT) em fevereiro de 2025.
Os impasses voltaram a aparecer em outras votações, inclusive na derrubada de vetos presidenciais.
No Senado, uma das maiores derrotas foi a rejeição, em abril deste ano, de Jorge Messias, indicado por Lula para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
MOTTA APOSTA EM APOIO DO CENTRÃO
Na Câmara, Lula deverá contar com a interlocução de Motta, que declarou apoio à reeleição do petista desde o primeiro turno.
O deputado participou de atos de campanha na Paraíba e chegou a usar um boné com o nome do petista.
Motta manteve o apoio mesmo após o Republicanos, seu partido, e a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, declararem apoio a Flávio no segundo turno.
Nos bastidores, a avaliação política levou em conta o desgaste da relação de Motta com o PL e a possibilidade de obter apoio mais seguro do PT para continuar na presidência da Câmara.
Na reta final da campanha, Motta também colaborou para aprovar pautas de interesse do governo, como o aumento do teto de faturamento dos microempreendedores individuais (MEIs) e o fim da escala de trabalho 6×1.
Uma articulação do Centrão, com a adesão de PSB e PDT, reúne partidos que elegeram 273 deputados, número superior aos 257 votos necessários para vencer a eleição da Câmara em primeiro turno.
A iniciativa tenta evitar que o PL, apesar de sua bancada de 121 parlamentares, assuma o comando da Casa em 2027.
ALCOLUMBRE TENTA SUPERAR DESGASTE
No Senado, o cenário é mais difícil. Alcolumbre passou meses mantendo uma relação distante com Lula, sobretudo após a rejeição de Jorge Messias ao STF.
A reaproximação foi retomada em agosto e se fortaleceu com a aprovação da proposta que encerrou a escala 6×1, uma das principais bandeiras da campanha petista.
O presidente do Senado também enfrenta oposição do PL, que cobra o avanço de pedidos de impeachment contra ministros do STF.
O partido considera lançar Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, para disputar a presidência da Casa em fevereiro de 2027. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também é apontada como alternativa.
Em pronunciamento ao lado de Motta na noite deste domingo, Alcolumbre reconheceu a divisão do eleitorado e defendeu que Lula trabalhe pela pacificação nacional.
“O nosso país dividido não é bom para o povo brasileiro, não é bom para as instituições republicanas, não é bom para o futuro do Brasil”, afirmou.
TELEFONEMA E TENSÃO NO DIA DA ELEIÇÃO
Após a confirmação da vitória, Alcolumbre tomou a iniciativa de telefonar para Lula.
Durante a conversa, os dois trocaram palavras afetuosas. O petista chegou a chamar o presidente do Senado de “meu amigo e irmão Alcolumbre”.
Alcolumbre pediu que Lula adotasse um discurso de pacificação e se colocou à disposição do novo governo. Na conversa, foram usadas as expressões “pode contar comigo” e “vou contar muito”, em sinal de aproximação entre os dois.
A ligação ocorreu após um dia de tensão institucional.
O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), demorou a decidir sobre pedidos de ampliação do horário de votação diante de denúncias de dificuldades no transporte de eleitores.
O ministro Cristiano Zanin, do STF, determinou a prorrogação até as 19h, mas a decisão foi tomada depois do horário regular de fechamento das urnas, o que dificultou sua execução e provocou críticas à condução do processo.
Durante a tarde, governadores e senadores telefonaram para Alcolumbre preocupados com o risco de uma crise institucional. Eles pediram que o presidente do Senado atuasse para reforçar a segurança do Congresso.
Nos bastidores, Motta chegou a sugerir que Alcolumbre telefonasse ao presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, mas ele não concordou com a proposta.
Depois da vitória de Lula, porém, Nunes Marques afirmou a jornalistas que a decisão de Zanin não alterou a apuração do segundo turno.
Tags: Congresso, Davi Alcolumbre, Hugo Motta, Lula, PL







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