
Comer vegetais e proteínas antes dos carboidratos pode ajudar a suavizar os picos de glicose após as refeições em pessoas com diabetes tipo 2. (Foto: Instagram)
Comer vegetais e proteínas antes dos carboidratos pode reduzir a elevação da glicose no sangue de pessoas com diabetes tipo 2 e retardar a absorção dos nutrientes. A estratégia, que começa pela salada e por carnes, ovos ou frango, deixando arroz ou massas para o final, contribui para controlar a glicemia, mas não substitui o acompanhamento médico nem a atenção às porções.
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Pesquisas científicas e orientações de órgãos de saúde indicam que a ordem dos alimentos no prato interfere diretamente na maneira como o organismo absorve a glicose.
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De acordo com o endocrinologista Igor Trotte, fibras, proteínas e gorduras boas no início da refeição tornam mais lento o esvaziamento gástrico.
“O estômago não libera toda a refeição para o intestino de uma só vez. Gorduras e proteínas estimulam sinais hormonais, como o GLP-1, que podem desacelerar essa passagem”, explica o especialista. Assim, o carboidrato chega gradualmente ao intestino, o que suaviza os picos de açúcar no sangue.
A SEQUÊNCIA IDEAL NO PRATO DO DIA A DIA
Para adotar o método de maneira simples, a nutricionista clínica Thainara Gottardi recomenda separar os alimentos em uma ordem definida.
“Costumo recomendar uma sequência fácil de memorizar: começar pelos vegetais, seguir com as proteínas e deixar os carboidratos para o fim da refeição”, explica.
Na prática, o prato deve começar com saladas, folhas e legumes crus ou cozidos. Depois, devem vir as fontes de proteína, como carnes, peixes ou ovos, e, por último, os carboidratos, como arroz, batata ou massas.
Além de ajudar no controle da glicemia pós-prandial — o nível de açúcar no sangue logo após a refeição —, essa organização pode trazer outros benefícios para o comportamento alimentar. Consumir fibras e proteínas primeiro estimula hormônios ligados à saciedade, ajudando a conter a fome excessiva e a vontade de comer doces após a refeição, já que a resposta glicêmica tende a ficar mais estável.
CUIDADOS IMPORTANTES E LIMITES DA ESTRATÉGIA
Embora possa beneficiar o controle imediato da glicose, a mudança na ordem dos alimentos não é uma solução milagrosa, destacam os especialistas. O endocrinologista Igor Trotte ressalta que os estudos disponíveis ainda são pequenos e não demonstram que essa alteração, por si só, previna complicações de longo prazo ou permita diminuir doses de medicamentos e insulina sem avaliação médica.
Quem usa insulina nas refeições precisa ter cautela ao mudar a velocidade de absorção dos alimentos, tanto na contagem dos carboidratos quanto no momento da aplicação, para evitar hipoglicemias.
A digestão também merece atenção. A estratégia é segura para a maior parte da população, mas pessoas com condições específicas, como gastroparesia, refluxo grave ou doenças inflamatórias intestinais, precisam de orientação individualizada sobre a textura e a sequência dos alimentos.
Por fim, os profissionais lembram que a técnica deve complementar um estilo de vida saudável, com prática regular de atividades físicas e preferência por alimentos pouco processados, sem deixar de observar o total de carboidratos consumidos ao longo do dia.
Tags: alimentação, diabetes, Saúde







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