Após Carbono Oculto, 14 de 25 postos continuam abertos de forma irregular

Publicado por

–


Mesmo após a revogação de licenças, 14 postos ligados a alvos da Operação Carbono Oculto continuavam funcionando irregularmente. (Foto: Instagram)

Mais de um ano após o início da Operação Carbono Oculto, postos relacionados a alvos da investigação seguem funcionando sem regularização. Uma visita a 25 estabelecimentos constatou que 14 continuam operando irregularmente: embora constem como desativados na Agência Nacional do Petróleo (ANP), permanecem de portas abertas.

++ Sistema de IA mostra como pessoas estão criando conteúdo diário sem gravar vídeos

Em um deles, na zona sul de São Paulo, a equipe abasteceu o veículo duas vezes. Nas duas, os funcionários disseram que só aceitavam dinheiro. “Dinheirinho? A maquininha está sem sistema”, afirmou uma frentista. No cadastro da ANP, o posto aparece como bandeira branca e com autorização de funcionamento revogada desde março de 2025. Ainda assim, quem para para abastecer não percebe nada de irregular.

++ Bomba! Astro de Hollywood, Joe Manganirllo revela ter amputado membro

Outras histórias sobre os efeitos e os desdobramentos da Carbono Oculto no setor de combustíveis são contadas na série especial “Do canavial à Faria Lima”. O segundo capítulo foi publicado nesta quarta-feira (28/10).

POSTOS EM FUNCIONAMENTO

Entre os locais visitados estão um posto em Praia Grande, outro em Campinas e um terceiro em Catanduva, ligados, segundo a investigação do Ministério Público de São Paulo, à holding GGX Global Participações. As investigações apontam a empresa como uma das engrenagens da estrutura de lavagem de dinheiro mantida por Mohamad Hussein Mourad, o Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco.

A ANP revogou em 2025 a autorização dos três postos. Em Guarujá, um estabelecimento da rede Boxter, também alvo da Carbono Oculto, continuava aberto, embora houvesse uma restrição no sistema da agência por vício de qualidade do combustível.

Na avaliação do presidente do Instituto Combustível Legal, Emerson Kapaz, operar sem autorização é um sinal de que “tem alguma coisa errada” e pode apontar desde fraudes até conexões com o crime organizado.

O QUE DIZEM OS ENVOLVIDOS

Nota da defesa de Mohamad Hussein Mourad:

A defesa de Mohamad Mourad afirma que as recentes notícias sobre suas atividades empresariais trazem narrativas especulativas, sem respaldo nos autos do processo.

A reportagem extrapola o objeto da acusação apresentada pelo Ministério Público. A defesa ressalta que a denúncia recém-oferecida não atribui ao investigado qualquer relação com organizações ou facções criminosas — tema sobre o qual a matéria, segundo os advogados, insiste em fazer ilações infundadas.

A defesa repudia tentativas de promover um julgamento público antecipado e afirma que todas as atividades empresariais de Mohamed Mourad foram realizadas com estrita regularidade e respaldo documental. A legalidade de suas condutas e sua inocência, diz, serão comprovadas no processo judicial.

Nota da defesa de Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco:

“A defesa do empresário Roberto Leme informa que ainda não teve acesso à íntegra das investigações e que responderá às acusações no momento processual oportuno.

Também rejeita a divulgação de informações parciais e incompletas, prática que atinge a reputação dos empresários e prejudica sua defesa antes da apresentação das contestações.

Por exemplo, é um grave erro tentar relacionar o empresário à facção criminosa PCC. Nenhuma das investigações em curso contém evidências que confirmem essa falsa afirmação”.

DO CANAVIAL À FARIA LIMA

Nesta semana, uma série de reportagens aborda as consequências da operação Carbono Oculto, considerada a maior ação de combate à infiltração do crime organizado na cadeia de combustíveis do país.

Deflagrada em agosto de 2025 pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), a operação revelou um grupo criminoso que controlava canaviais, usinas, distribuidoras de combustíveis e postos de gasolina. Centenas de empresas estavam envolvidas em uma complexa rede de fraudes, sonegação de impostos e ocultação de patrimônio, que ia dos canaviais do interior paulista às fintechs da Faria Lima.

Investigadores estimam que o império comandado por Primo e Beto Louco movimentou R$ 54 bilhões entre 2019 e 2024, com ao menos R$ 8,4 bilhões desviados por meio de fraudes fiscais e lavagem de dinheiro. Em diversos pontos, os negócios da dupla se cruzam com os de pessoas acusadas de integrar o Primeiro Comando da Capital (PCC). As defesas, porém, negam essa ligação.

A apuração examinou milhares de páginas de processos judiciais e inquéritos do MPSP e da Polícia Federal (PF) para compreender os impactos da rede criminosa. Também ouviu usineiros, agricultores, empresários do setor de combustíveis e autoridades públicas sobre os prejuízos causados à sociedade pelo crime organizado.

Pouco mais de um ano após a Carbono Oculto, Primo e Beto Louco continuam foragidos, trabalhadores rurais tentam receber indenizações e alguns postos ligados ao grupo seguem funcionando sem autorização. A experiência adquirida pelos investigadores com a operação permitiu revelar outras fraudes financeiras. Além disso, a arrecadação dos estados com combustíveis aumentou em todo o país, indicando que a ação conseguiu, ao menos em parte, conter a criminalidade no setor.

Tags: Investigação, MPSP, Postos de combustível

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *