
Presídios de São Paulo receberão equipamentos e tecnologias do sistema penitenciário federal até o fim do ano. (Foto: Instagram)
São Paulo — Cadeias de São Paulo estão entre as 138 unidades prisionais do país que receberão, até o fim do ano, armamentos e tecnologias do sistema penitenciário federal.
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O compartilhamento dos equipamentos é uma estratégia da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) para reforçar a segurança das prisões, fortalecer as polícias penais estaduais e reduzir a capacidade de atuação das organizações criminosas dentro e fora dos presídios, informou a pasta.
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“Todos esses investimentos são nesse sentido de fortalecer esses estabelecimentos penais, elevar o padrão de segurança dessas unidades penais, de fortalecer também com equipamentos, com tecnologia, as inteligências penitenciárias”, afirmou Antônio Glautter de Azevedo Morais, diretor de inteligência da Senappen, em entrevista.
De acordo com a secretaria, a iniciativa tem três eixos:
- Inteligência e operações: reforço das ações de inteligência penal e realização de operações para identificar e apreender materiais ilícitos, combater comunicações criminosas e ampliar o controle das unidades prisionais;
- Modernização tecnológica: investimentos em equipamentos de segurança, como scanners corporais, aparelhos de raio-X, drones, georradares, kits de varredura e viaturas, para aprimorar a fiscalização e a segurança dos estabelecimentos;
- Capacitação dos profissionais: treinamento e aperfeiçoamento dos policiais penais, com formação técnica e adoção de procedimentos de segurança baseados na experiência do sistema penitenciário federal.
Por razões de segurança, a secretaria não divulgou quantas nem quais unidades prisionais foram escolhidas em São Paulo. Informou, porém, que são 38 prisões no sudeste do país. Outras 45 ficam no nordeste; 23 no norte; 17 no sul e 15 no centro-oeste. A seleção foi feita com base em análises técnicas e critérios de inteligência penal.
O QUE AS CADEIAS DE SP VÃO RECEBER DO SISTEMA PENITENCIÁRIO FEDERAL
A Senappen detalhou os investimentos, equipamentos, capacitações e operações previstos para as penitenciárias de São Paulo. O valor total estimado é de pouco mais de R$ 34 milhões.
Confira os equipamentos destinados às unidades prisionais:
- 15 aparelhos de raio-X 60 × 40: usados para inspecionar bolsas, encomendas e outros objetos e ajudar a identificar materiais proibidos;
- 45 veículos-cela, com e sem proteção balística: voltados ao transporte seguro de pessoas privadas de liberdade;
- 15 aparelhos de raio-X 100 × 100: permitem verificar volumes maiores sem que seja necessário abrir os objetos;
- 15 scanners corporais (BodyScan): fazem inspeções corporais por imagem e ajudam a localizar objetos ocultos;
- 45 detectores de metal tipo raquete: equipamentos portáteis utilizados em revistas para detectar objetos metálicos;
- 15 pórticos detectores de metal: instalados em áreas de acesso para identificar objetos metálicos durante a passagem de pessoas.
O investimento total previsto é de R$ 23.197.778,85. Os equipamentos devem reforçar o controle da entrada de pessoas e materiais nas cadeias paulistas, ajudando a impedir a circulação de objetos proibidos e a aumentar a segurança das unidades prisionais.
Veja os equipamentos enviados para a Agência de Inteligência Estadual:
- 3 kits de varredura: conjuntos tecnológicos usados em inspeções para identificar dispositivos eletrônicos e ajudar a encontrar materiais ocultos;
- 3 drones: possibilitam o monitoramento aéreo das unidades prisionais e de seus perímetros de segurança;
- 1 georradar: equipamento que usa ondas eletromagnéticas para detectar alterações e estruturas abaixo da superfície, auxiliando na localização de possíveis túneis e escavações;
- 3 aparelhos de raio-X portáteis: utilizados para inspecionar objetos e estruturas em locais que necessitam de equipamentos móveis;
- 15 soluções de áudio e vídeo: sistemas tecnológicos voltados à captação, ao registro e ao acompanhamento de informações audiovisuais, conforme a finalidade de cada equipamento.
O investimento total previsto é de R$ 10.845.155,44. Segundo a Senappen, os equipamentos devem ampliar a capacidade de inteligência, monitoramento e identificação de situações de risco, ajudando a prevenir fugas, localizar materiais ilícitos e apoiar operações de segurança penitenciária.
Até 21 de outubro, já haviam sido entregues três drones, 45 detectores de metal tipo raquete, três kits de varredura e um georradar.
A parceria entre os sistemas federal e estadual também prevê capacitações para os policiais penais paulistas, entre 9 e 13 de novembro. O treinamento, inicialmente destinado a 30 agentes, pretende prepará-los para usar equipamentos de varredura eletrônica, que identificam dispositivos e materiais proibidos nas unidades prisionais.
COMBATE AO CRIME ORGANIZADO
O sistema penitenciário federal abriga detentos considerados de alta periculosidade, entre eles líderes de facções criminosas.
É o caso de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder do Primeiro Comando da Capital (PCC) e detido em Brasília, e de Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, acusado de ser chefe máximo do Comando Vermelho (CV) e preso em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Ele é, aliás, o único detento que já passou pelas cinco unidades penitenciárias federais do país.
O alto nível de segurança desses estabelecimentos busca sufocar a gestão das organizações criminosas e, ao mesmo tempo, fornecer informações importantes para combater esses grupos.
“O sistema penitenciário hoje é a maior fonte de informação para a segurança pública. Você tem como obter dados de várias formas numa investigação tradicional, mas a maior fonte de informação para investigação e inteligência é o sistema penitenciário”, destacou Glautter.
Nos presídios estaduais, onde há relatos do surgimento e crescimento de facções — como o PCC em São Paulo —, a integração de tecnologias e métodos federais pode ajudar a sufocar esses grupos criminosos.
“Ter um sistema penitenciário controlado, monitorado, com a inteligência penitenciária fortalecida por tecnologia e com a Lei Antifacção, que prevê o monitoramento de parlatórios, são medidas que vêm a fortalecer o combate ao crime organizado”, afirmou o diretor.
Tags: crime organizado, facção criminosa, penitenciária, presídios, São Paulo, sistema penitenciário.







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