
Trump questiona eleição brasileira, mas evita apoiar Flávio Bolsonaro (Foto: Instagram)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manteve uma postura ambígua diante da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência do Brasil, inclusive durante a campanha. Ao contrário do apoio explícito que deu a outros representantes da direita latino-americana, o republicano não endossou o senador e, desde as primeiras declarações sobre a eleição, destacou que não havia tomado partido.
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Depois da derrota do brasileiro, Trump voltou a questionar a votação, sem apresentar provas de fraude, mas também não apoiou a tentativa de Flávio de se declarar presidente eleito.
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Quando foi questionado pela primeira vez sobre a eleição no Brasil, Trump disse que o resultado parecia apontar para fraude, mas fez questão de afirmar que seria neutro.
“Bem, para mim, pareceu péssimo. Achei que foi uma situação de péssima aparência. Não tomei partido, mas, francamente, parecia mais uma eleição fraudulenta”, declarou.
Nos últimos dias, o republicano também ressaltou que tem uma boa relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao falar sobre o resultado da eleição brasileira, afirmou: “Gosto do Lula. Me dou muito bem com ele”.
O americano declarou ainda que não tomou partido porque, segundo ele, o próprio petista teria pedido que mantivesse a neutralidade.
A postura de Trump chama atenção quando comparada ao histórico de aproximação com lideranças conservadoras da região. Na Argentina, ele declarou apoio ao presidente Javier Milei, a quem já definiu como “MAGA de ponta a ponta”.
Em El Salvador, o americano também demonstrou alinhamento com Nayib Bukele, elogiou a política de segurança do país e recebeu o líder salvadorenho em eventos ligados ao movimento conservador.
No caso brasileiro, porém, o apoio não resultou em uma manifestação pública a favor da candidatura de Flávio nem em respaldo à contestação do resultado eleitoral. A diferença também se nota na relação com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que teve apoio explícito de Trump durante a campanha de 2022.
APOIO A ALIADOS NA AMÉRICA LATINA
A cautela com o senador brasileiro contrasta com a forma como Trump costuma se posicionar em relação a outros nomes da direita latino-americana. Em setembro, o presidente afirmou que todos os candidatos que apoiou na região haviam vencido: “Até agora, acho que estou nove em nove. Todos que apoiei venceram”.
Entre os nomes citados pelo republicano estavam o argentino Javier Milei e o colombiano Abelardo de la Espriella, que recebeu apoio público de Trump durante a campanha. Em junho, depois da eleição colombiana, o presidente americano parabenizou De la Espriella e disse ter interesse em construir uma relação “poderosa” entre os Estados Unidos e a Colômbia.
Durante a campanha, Trump também disse que gostava do colombiano. “Ele era um grande fã de Trump. Foi por isso que gostei dele. Eu disse: gosto desse cara. Vamos apoiá-lo”, afirmou.
A relação com Milei também inclui demonstrações públicas de proximidade e apoio econômico. Trump já chamou o argentino de aliado do movimento MAGA e associou a continuidade do suporte americano ao desempenho eleitoral da coalizão de Milei. O governo dos Estados Unidos também anunciou um pacote de apoio financeiro de US$ 20 bilhões à Argentina.
Com Nayib Bukele, presidente de El Salvador, a aproximação se dá principalmente pela cooperação em segurança e pela defesa do modelo adotado pelo governo salvadorenho. Bukele recebeu elogios de integrantes da administração americana e participou de eventos conservadores nos Estados Unidos.
TRUMP QUESTIONA ELEIÇÃO, MAS EVITA APOIAR FLÁVIO
Após o segundo turno, realizado em 25 de outubro, Trump chamou a eleição brasileira de “terrível” e disse que o resultado parecia indicar mais uma votação fraudada. O resultado oficial, confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), deu a vitória a Lula, com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro.
O filho mais velho de Jair Bolsonaro perdeu por uma diferença de 4,43 milhões de votos.
Em 27 de outubro, durante um comício no Texas, Trump voltou a insinuar irregularidades no processo eleitoral brasileiro. Apesar das críticas, repetiu que não havia tomado partido na disputa.
No dia seguinte, ao ser questionado sobre a possibilidade de Flávio entrar nos Estados Unidos, Trump disse que autorizaria a entrada do senador. O brasileiro havia deixado o país depois de o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinar que entregasse os passaportes, no âmbito de uma investigação.
Flávio chegou a Miami em 28 de outubro, acompanhado de familiares, depois de passar pela Argentina e pelo Equador. De acordo com informações divulgadas pela imprensa americana, integrantes do governo dos EUA discutiram uma forma legal de permitir a entrada do grupo.
A autorização ocorreu por meio do chamado humanitarian parole, mecanismo migratório temporário usado em situações humanitárias ou de relevante interesse público.
A viagem também teve a participação de Jason Miller, assessor de comunicação de Donald Trump e aliado da família Bolsonaro. Miller confirmou ter providenciado o jato particular que levou Flávio e seus familiares da Argentina aos Estados Unidos.
Já em território americano, Flávio divulgou uma carta em que se declarou “presidente eleito” do Brasil.
Questionado sobre a reivindicação, Trump não confirmou a declaração e respondeu: “Não vou me envolver. Nós demos a ele uma autorização para entrar no país. Mas não vou me envolver”.
Na sexta-feira (30/10), a imprensa estadunidense informou que o presidente americano não pretende reconhecer Flávio como líder legítimo do Brasil. Autoridades ouvidas pela agência Reuters, porém, não descartaram uma possível mudança de posição de Trump.
Tags: América Latina, Donald Trump, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro







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