Local onde remédios são guardados pode afetar a eficácia do tratamento

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Banheiro, cozinha e carro podem comprometer a conservação dos medicamentos. Saiba como armazená-los corretamente. (Foto: Instagram)

O lugar escolhido para guardar os medicamentos em casa interfere diretamente na eficácia do tratamento e pode fazer com que um remédio se torne um risco à saúde. Locais usados com frequência para essa finalidade, como o armário do banheiro, a cozinha e o porta-luvas do carro, deixam as substâncias expostas à umidade constante, à luz e a mudanças de temperatura.

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Essas condições aceleram a degradação dos princípios ativos. Com isso, o produto pode perder o efeito terapêutico ou até formar substâncias nocivas, mesmo ainda estando dentro do prazo de validade indicado no rótulo.

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Segundo orientações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ministério da Saúde, a maioria dos produtos farmacêuticos deve ser armazenada em locais secos, frescos e protegidos da luz, em temperaturas ambientes entre 15 °C e 30 °C.

O desrespeito a essas recomendações prejudica a estabilidade das fórmulas. Priscilla Mota, professora e farmacêutica do Centro Universitário Uniceplac, explica que temperaturas elevadas aceleram as reações químicas nos medicamentos.

O PERIGO DOS LOCAIS DE ARMAZENAMENTO COMUNS

A umidade do banheiro e o calor do fogão fazem desses ambientes alguns dos piores lugares da casa para guardar remédios. Depois do banho, a água suspensa no ar pode penetrar nos comprimidos por meio de um processo químico chamado hidrólise.

“A umidade é absorvida pelo comprimido e altera sua estabilidade. O banheiro é o local mais úmido da casa, o que pode provocar reações químicas no medicamento e aumentar a possibilidade de contaminação microbiológica”, afirma Priscilla.

Guardar os produtos nesses locais inadequados pode causar mais do que a redução do efeito do medicamento. As mudanças na fórmula podem levar à toxicidade e a reações adversas no organismo. Erika Chaib, enfermeira do Idomed São Luís, ressalta que nem sempre é possível perceber sinais de perda de eficácia em um produto danificado.

“Conforme a formulação e as condições a que foi exposto, o medicamento pode se degradar e formar substâncias indesejáveis ou aumentar o risco de efeitos adversos. É importante lembrar que nem todo remédio guardado de forma incorreta se torna tóxico, e sua segurança não pode ser determinada apenas pela aparência”, diz a enfermeira.

A IMPORTÂNCIA DAS EMBALAGENS ORIGINAIS

Manter o medicamento em sua embalagem original, como cartelas laminadas e frascos opacos, também ajuda a conservá-lo. Transferir comprimidos para organizadores plásticos transparentes, sem orientação profissional, pode eliminar a proteção contra a luz e a umidade.

“As embalagens originais integram o sistema de proteção do medicamento. As cartelas ajudam a proteger cada comprimido ou cápsula da umidade, do contato com o ar e de outros fatores do ambiente. Quando os comprimidos são transferidos para recipientes transparentes, essa proteção pode diminuir”, alerta Erika.

Priscilla acrescenta que os itens que vêm dentro das embalagens também devem ser mantidos: “Muitas pessoas descartam a sílica quando abrem a embalagem pela primeira vez, mas ela retém a umidade e evita que o medicamento seja afetado”.

Para os remédios que precisam de refrigeração, é necessário ter atenção redobrada ao guardá-los na geladeira de casa. A recomendação é colocá-los nas prateleiras centrais internas, longe da porta, sujeita a variações frequentes de temperatura, e das paredes do aparelho, onde a fórmula pode congelar.

VALIDADE, SINAIS DE DEGRADAÇÃO E DESCARTE CORRETO

A data de validade em dia só garante a segurança do medicamento quando ele é armazenado corretamente. Elizângela Motta, farmacêutica e professora da Estácio, reforça que remédios vencidos não devem ser consumidos.

“Depois dessa data, não há garantia de que o princípio ativo mantenha a concentração e a estabilidade adequadas. O medicamento pode se degradar, perder efeito terapêutico e formar produtos de degradação. Não é correto pensar que um remédio vencido apenas ‘fica mais fraco’”, alerta Elizângela.

Ela recomenda observar regularmente sinais de degradação precoce, como alteração de cor ou cheiro, comprimidos amolecidos e separação de fases em xaropes e cremes.

Por fim, a revisão periódica dos medicamentos guardados em casa deve ser acompanhada do descarte ambientalmente correto. Jogar remédios no lixo comum, na pia ou no vaso sanitário contamina o solo e os recursos hídricos.

Elizângela destaca a importância da destinação adequada. “O correto é procurar pontos de coleta apropriados em farmácias e drogarias. O descarte inadequado pode levar substâncias ao solo e à água. No caso dos antibióticos, também há preocupação com a seleção de microrganismos resistentes”, conclui.

Tags: ciência, remédio, Remédios

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