
O fechamento da produção de aço da Gerdau em Divinópolis mobiliza autoridades e preocupa trabalhadores e empresas da região. (Foto: Instagram)
Belo Horizonte – O encerramento da produção de aço da Gerdau em Divinópolis, na região Centro-Oeste de Minas Gerais, anunciado na última terça-feira (3/11), mobiliza políticos de diferentes espectros em busca de soluções ou alternativas para reduzir os impactos econômicos e sociais.
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A prefeitura de Divinópolis estima que a medida afete diretamente cerca de mil pessoas, entre empregados e terceirizados. Os efeitos, porém, também alcançam prestadores de serviço e empresas menores da cidade mineira. Segundo a administração pública, até o patrocínio do Natal de Divinópolis está ameaçado.
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A prefeita de Divinópolis Janete Aparecida (Avante) se reuniu em Brasília, nesta quarta-feira (4/11), com o vice-presidente e ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) Geraldo Alckmin (PSB). O encontro ocorreu por iniciativa da deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG).
“Estou pedindo uma reunião de esforços para gente poder resolver os problemas econômicos do Estado, porque Divinópolis é só a ponta do iceberg e se nós não tratarmos, o prejuízo vai ser maior”, afirmou a chefe do Executivo municipal.
Ela terá uma reunião com o governador eleito de Minas, Cleitinho Azevedo (Republicanos), na manhã desta quinta-feira (5/11). Além dele, os outros dois integrantes da família Azevedo, o deputado federal Gleidson Azevedo (Republicanos) e o deputado estadual Eduardo Azevedo (PL), também buscam alternativas junto ao poder estadual para reduzir os impactos da crise.
A deputada federal eleita Lohanna França (PV) e a reeleita Duda Salabert (Psol) também procuraram a prefeita para buscar alternativas às demissões de 278 funcionários pela Gerdau na cidade.
Janete afirmou que a situação não se restringe ao município e alertou para a possibilidade de um efeito cascata.
“A Gerdau tinha fechado anteriormente em Barões de Cocais, hoje está fechando em Divinópolis. Eu levei para o governador Cleitinho a minha preocupação em relação a um efeito cascata. Não resolvendo isso, nós temos Ouro Branco, que é uma grande operação”, declarou.
O deputado federal e senador eleito Domingos Sávio (PL) disse que se reuniu com parte da diretoria da empresa e que pretende trabalhar para retomar as atividades em Divinópolis.
“Há alguns anos venho lutando contra a situação da importação de aço, principalmente aço chinês, competindo de forma desleal com a produção nacional”, afirmou Sávio.
O AÇO CHINÊS
Industriais brasileiros acusam a China de adotar uma prática semelhante ao dumping, depois que o governo asiático subsidiou o setor siderúrgico para preservar empregos em meio à desaceleração da construção civil no país.
Com isso, as exportações chinesas passaram a ser feitas por valores muito baixos, afetando o setor no Brasil.
Diante desse cenário, o governo federal começou a impor tarifas de até 25% sobre o aço chinês, numa tentativa de proteger a produção brasileira, que perdeu competitividade no mercado internacional depois que o presidente Donald Trump impôs “tarifaço” sobre o aço brasileiro.
Na ocasião, os chineses alegaram que os subsídios já não são pagos e afirmaram que a cobrança apenas encarece produtos à base de aço no país. Também atribuíram a diferença de custos à questão tributária e à logística ineficiente.
O QUE DIZ A GERDAU
Em nota, a Gerdau declarou que a decisão faz parte da estratégia de otimizar suas operações, concentrando-se em ativos mais competitivos e buscando garantir a sustentabilidade da empresa no longo prazo.
“A decisão está relacionada, principalmente, à perda de competitividade da operação, em razão da ausência de fornecimento de minério de ferro a custos competitivos, fator que tem pressionado os custos de produção”, afirmou.
Embora tenha dispensado quase 300 trabalhadores, a empresa manterá 180 funcionários trabalhando no município, segundo o superintendente regional do Trabalho e Emprego de Minas Gerais, Carlos Calazans.
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Tags: Minas Gerais







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