Diagnóstico tardio de TDAH em mulheres adultas revela impactos emocionais

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Mulheres podem receber o diagnóstico de TDAH até quatro anos mais tarde que homens, aponta estudo sueco. (Foto: Instagram)

Mulheres adultas podem esperar, em média, até quatro anos a mais que os homens para receber o diagnóstico correto de transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). A conclusão é de uma pesquisa populacional realizada na Suécia e publicada no Journal of Child Psychology and Psychiatry, que acompanhou mais de 85 mil pessoas.

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O estudo indica que a identificação tardia está ligada a índices mais altos de ansiedade e depressão, além do uso mais prolongado dos serviços de saúde antes da confirmação do diagnóstico.

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O MASCARAMENTO DE SINTOMAS DESDE A INFÂNCIA

A diferença no tempo para obter o diagnóstico começa na infância. Enquanto os meninos tendem a manifestar o transtorno com hiperatividade motora e agitação, sinais que chamam a atenção de pais e professores, as meninas costumam apresentar um perfil predominantemente desatento.

Em muitos casos, o sofrimento psíquico da criança se volta para dentro e aparece como ansiedade, retraimento social e baixa autoestima. Como não apresentam comportamentos que perturbem o ambiente escolar, os sinais acabam despercebidos.

Além disso, meninas frequentemente criam estratégias deliberadas para camuflar dificuldades sociais e se adequar às expectativas de comportamento e organização impostas pela sociedade.

A psiquiatra Fabrícia Signorelli, do Ambulatório de TDAH no Adulto da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica os efeitos dessa adaptação na rotina.

“A mulher com TDAH se destaca pela capacidade de desenvolver estratégias adaptativas e compensatórias para reduzir as disfunções do transtorno, como recorrer a listas, lembretes e dividir tarefas em partes”, afirma. A especialista alerta que a compensação constante tem um custo elevado, com esgotamento e desgaste emocional.

O ACÚMULO DE RÓTULOS E AS OSCILAÇÕES HORMONAIS

A tentativa contínua de esconder as dificuldades faz com que muitas mulheres cresçam ouvindo termos pejorativos, como “desatenta”, “desorganizada” ou “preguiçosa”. Com o tempo, esses julgamentos afetam diretamente a construção da autoimagem e a saúde física e psicológica.

“É preciso ampliar o acesso à informação e criar espaço para que as pessoas contem suas histórias sem serem resumidas a rótulos, com mais compreensão e menos culpa”, afirma Renata Spallicci, vice-presidente executiva da Apsen Farmacêutica. A empresa mantém a iniciativa TDAH Levado à Sério, voltada ao combate dos estigmas sobre o transtorno.

As oscilações hormonais ao longo da vida feminina tornam o cenário ainda mais complexo. O estrogênio tem papel importante no cérebro, pois estimula a disponibilidade de dopamina, neurotransmissor essencial para o foco e o controle emocional. Em períodos de transição, como o pré-menstrual, o pós parto e a perimenopausa, a redução hormonal intensifica as dificuldades de atenção e o cansaço mental.

Por volta dos 40 anos, as variações hormonais da perimenopausa costumam causar a chamada “névoa cerebral”, marcada por lapsos de memória e fadiga. Como esses sinais se parecem com disfunções do TDAH, o transtorno muitas vezes é confundido com mudanças comuns do climatério, o que adia o suporte adequado.

Uma avaliação clínica detalhada do histórico da paciente desde a infância ajuda a distinguir manifestações pontuais da menopausa do TDAH compensado ao longo da vida. Na idade adulta, o tratamento requer abordagem multidisciplinar, com acompanhamento médico, psicoterapia para reorganizar a rotina e apoio socioemocional, para que a mulher possa deixar a culpa e reconstruir sua trajetória.

Tags: Saúde, Saúde feminina

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