
Ricardo Nunes anuncia afastamento de diretores da A2 Transportes alvo da Operação Vectura Corrupta (Foto: Instagram)
Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo, anunciou que exigirá o afastamento imediato de Paulo Korek e Júlio Salvador Filho, diretores da A2 Transportes, que são alvos de mandados de prisão na Operação Vectura Corrupta. A operação foi desencadeada nesta quinta-feira, 17 de setembro, e investiga a possível conexão de empresas de transporte com o PCC.
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Segundo o prefeito, a prefeitura notificou a A2 Transportes para que os diretores sejam afastados em um prazo de 24 horas. Caso contrário, a Prefeitura de São Paulo intervirá na empresa. A operação policial investiga a suposta ligação de empresas de transporte com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
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Paulo Korek foi descrito pelo juiz responsável pela operação como "testa de ferro" do PCC, administrando interesses da facção criminosa. Já Júlio Salvador Filho, junto com Korek, decidia sobre pagamentos a laranjas da organização. Nunes afirmou que não há decisão judicial específica sobre a A2, mas a empresa é mencionada porque Korek e Salvador Filho também são sócios da Translider.
O despacho judicial que fundamentou a operação destaca diálogos referentes à Translider e A2, além de outras empresas do setor. "Há menções a pagamentos destinados a José Daniel e Claudionor Sabino Tomaz, supostamente como 'laranjas'. Os valores, segundo a investigação, seriam repassados por terceiros, inclusive por Wellington Andrade dos Santos, conhecido como 'Moreno', e por Júlio Salvador Filho, diretor da A2", relatou o juiz.
As investigações indicam que 12 das 22 empresas de transporte coletivo na capital paulista estariam, em tese, sob controle do PCC. Nunes destacou que já houve casos em que empresas investigadas foram absolvidas pela Justiça, enfatizando a necessidade de responsabilidade e presunção de inocência.
Nunes afirmou que a prefeitura apoiará a investigação, mas sempre respeitando a ampla defesa e a presunção de inocência. "Uma vez comprovada a participação em qualquer ato criminoso, devem ser aplicadas penas severas", disse ele.
A investigação revela um esquema envolvendo empresas, advogados, membros do crime organizado e agentes públicos para atender aos interesses da facção. A operação desta quinta-feira é um desdobramento de outra operação deflagrada em agosto de 2024, chamada Decúrio, que identificou comunicações entre membros do PCC.
A investigação aponta a infiltração do crime organizado em empresas de transporte coletivo, utilizando empresas de fachada, direcionamento de licitações e lavagem de dinheiro. Os sócios formais das concessionárias seriam usados como "laranjas" para ocultar os verdadeiros proprietários, integrantes do PCC.
Os criminosos também ajustariam licitações para obter contratos emergenciais em municípios, com propinas a agentes públicos. Danilo Morgado, candidato a deputado estadual, foi preso durante a operação, acusado de envolvimento com o núcleo político do PCC.
Os investigadores mencionam encontros com ex-gestores do sistema público e políticos responsáveis por empresas do setor, como Milton Leite, apontado como dono da Transwolf. O dinheiro do crime seria injetado no setor por meio da negociação e venda de frotas de ônibus.
A investigação também revela um núcleo chamado "Sintonia dos Gravatas", composto por advogados e operadores ligados à facção, que intermediariam negociações contratuais e gerenciariam repasses de comissões.
"Os elementos investigados indicam que a atuação do PCC extrapola o tráfico de drogas, abrangendo o uso de empresas de transporte, contratos públicos e articulações políticas", diz um trecho do documento.
Milton Leite foi citado como responsável pela operação de empresas controladas pelo PCC. Levi dos Santos Oliveira, da SPTrans, teria se reunido com membros do PCC para tratar dos interesses da facção.
Entre os alvos da operação estão André Cassali, Carla de Paula Muller, Cicero Jose dos Santos Filho, entre outros. O Metrópoles tenta contato com os investigados. Milton Leite negou envolvimento e afirmou que se apresentará às autoridades em 24 horas.
A Prefeitura de São Paulo afirmou que a intervenção na empresa Transwolff, em abril de 2024, foi para proteger o sistema municipal de transporte. A administração municipal também determinou a intervenção na UPBus sem solicitação judicial.
A Câmara Municipal de São Paulo acompanha as investigações e aguarda conclusões. Receba notícias de São Paulo no WhatsApp e fique atualizado! Acesse o canal de notícias do Metrópoles no WhatsApp.







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