Tentativas de ocultar crimes após Carbono Oculto geram novas provas em SP

Publicado por

–


Agentes da Receita Federal cumprem mandados durante a Operação Crédito Oculto em São Paulo (Foto: Instagram)

Os envolvidos na operação Carbono Oculto tentaram esconder evidências de crimes após a primeira fase da operação, mas isso acabou sendo um "tiro no pé". As mudanças nas práticas dos investigados geraram o efeito contrário ao desejado, fornecendo ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), provas contundentes das irregularidades.

++ Sistema de IA mostra como pessoas estão criando conteúdo diário sem gravar vídeos

De acordo com o Gaeco, gerentes e operadores do esquema, assim como executivos do núcleo financeiro e gestores de fundos de investimentos, deixaram um rastro documental ao tentar modificar rotinas e parcerias financeiras. Essas novas descobertas resultaram na Operação Crédito Oculto, um desdobramento da investigação, deflagrada na quinta-feira (24/9).

++ Bomba! Astro de Hollywood, Joe Manganirllo revela ter amputado membro

A operação tem como alvo uma estrutura criada para ocultar os verdadeiros proprietários da usina sucroalcooleira Itajobi, no interior de São Paulo, e viabilizar a compra da distribuidora de combustíveis Terrana. Segundo as autoridades, os líderes do esquema seriam Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, ambos foragidos. O objetivo da aquisição da Terrana era ocultar dinheiro ilícito do crime organizado para financiar a expansão do grupo, especialmente a atuação de Beto Louco e Mourad no setor de combustíveis.

Após as primeiras investigações, o banco Genial renunciou à administração do fundo de investimentos Radford, que era utilizado exclusivamente pela Usina Itajobi para operações irregulares que culminaram na aquisição da Terrana, uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.

A instituição financeira também liquidou os Certificados de Depósito Bancário Vinculados (CDBVs) e transferiu os créditos das Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), no valor de R$ 160 milhões, diretamente ao próprio Fundo Radford.

Paulo Narcélio Simões do Amaral e Gunar Marcondes da Silva, respectivamente o testa-de-ferro e o contador e gestor contábil de Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva, criaram um plano de emergência para “desvincular” a distribuidora do grupo criminoso.

O plano, segundo o Gaeco, previa mudança urgente de endereço, demissão de colaboradores da empresa de fachada 7Seven, contratação de servidor de TI separado e alteração de telefones.

Os investigadores identificaram que os gestores dos fundos de investimento usados pelo esquema promoveram uma migração em massa dos fundos mantidos na administradora Reag para novas administradoras (como Altinvest, Trustee, BLF e Banvox) para dispersar o patrimônio. A Reag também foi alvo da primeira fase da Operação Carbono Oculto, sob suspeita de ter sido instrumentalizada para integrar a estrutura criminosa.

A representação do Ministério Público à Justiça que culminou na Operação Crédito Oculto demonstra que, ao tentar se desvincular dos primeiros investigados, os integrantes da estrutura criminosa acabaram fornecendo ao Gaeco e ao Juízo provas contundentes das irregularidades.

A Justiça expediu mandados de busca e apreensão contra 27 alvos, sendo 13 pessoas físicas e 14 jurídicas, além de ter autorizado a apreensão de celulares, computadores, mídias digitais, documentos, arquivos em nuvem, quantias em dinheiro em espécie e bens de luxo sem comprovação de origem lícita.

As defesas de Roberto Leme e Mohamad Hussein afirmaram que os dois não foram alvos da operação deflagrada pelo Gaeco e desconhecem os fatos em investigação.

Em nota, o Banco Genial esclareceu que Humberto Tupinambá “não integra a Diretoria e não é sócio da instituição desde maio de 2026”. O banco informou também que, ao tomar conhecimento dos fatos, adotou medidas adicionais de governança e controle, incluindo a instauração de processo de Inspetoria interna.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *