Consumidores evitam tecidos sintéticos por preocupação com saúde e microplásticos

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Microplásticos desprendidos de tecidos sintéticos vistos nas pontas dos dedos (Foto: Instagram)

O medo dos microplásticos, analisado sob a ótica da cultura do bem-estar, está transformando o guarda-roupa e desafiando uma indústria que ainda depende de tecidos sintéticos. A preocupação com os impactos desses tecidos na saúde parece estar mais ligada a uma tendência de comportamento do que a evidências científicas conclusivas.

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A rejeição aos tecidos sintéticos, como poliéster e nylon, é impulsionada pela cultura do bem-estar, que já modificou a forma como as pessoas veem alimentação, exercícios e cuidados com a pele. Embora o poliéster já tenha sido associado a roupas baratas nas décadas de 1970 e 1980, a desconfiança atual está centrada nos microplásticos.

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A principal preocupação surge da exposição aos microplásticos, partículas minúsculas encontradas em corpos humanos que podem se desprender das roupas sintéticas durante o uso e lavagem. Estudos preliminares sugerem uma ligação entre essas partículas e doenças cardiovasculares, mas não há comprovação científica de uma relação causal direta.

O poliéster é responsável por 59% da produção mundial de fibras têxteis, consolidando-se como material essencial tanto no fast fashion quanto no luxo. Apesar disso, apenas cerca de 12% do poliéster é feito de material reciclado.

A busca por "moda limpa" quadruplicou em julho de 2025 comparado aos anos anteriores. A Business of Fashion aponta que a fuga do poliéster é motivada por preocupações com saúde, calor intenso e excesso de roupas baratas, levando consumidores a optar por fibras naturais.

Marcas de design autoral utilizam poliéster há décadas devido à sua maleabilidade e versatilidade. Substituir completamente essa fibra é desafiador, tanto para fast fashions quanto para grandes grifes, devido às suas características únicas.

O dilema persiste: o medo dos microplásticos já influenciou discursos de marcas e consumidores, mas o poliéster continua sendo a fibra mais produzida no mundo. A ciência ainda busca respostas sobre os efeitos dos tecidos sintéticos na saúde, enquanto o mercado aprende a vender a resposta que o consumidor deseja ouvir.

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