O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) completa 81 anos nesta terça-feira (27), dois dias após conquistar a reeleição e garantir seu quarto mandato à frente do Brasil. Impedido pela Constituição de disputar um terceiro mandato consecutivo em 2030, o petista ainda não tem um sucessor definido. Em entrevista ao Terra, especialistas em política analisaram sete possíveis nomes para representar o campo progressista na próxima eleição presidencial.
Entre os políticos mencionados estão Fernando Haddad (PT), Camilo Santana (PT) e João Campos (PSB). Embora tenham trajetórias diferentes, os três são apontados como possíveis alternativas para uma disputa nacional. Os especialistas também consideraram nomes como Rui Costa, Rafael Fonteles, Guilherme Boulos e André Janones.
Fernando Haddad, que disputou a Presidência em 2018 e perdeu para Jair Bolsonaro, é um dos nomes mais conhecidos do PT. Em 2026, o ex-ministro concorreu ao governo de São Paulo, mas foi derrotado por Tarcísio de Freitas (Republicanos). Para os analistas, sua experiência administrativa e seu conhecimento técnico são pontos favoráveis, embora os resultados eleitorais representem um obstáculo “Ele segue forte no partido, mas eu não diria que será o candidato natural. Penso que o PT terá que se questionar se quer apostar de novo em um nome que perde no maior colégio eleitoral do País, como é o do Haddad”, avaliou o cientista político Rodrigo Prando.
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Outro nome considerado é o senador Camilo Santana, que já governou o Ceará e ocupou o Ministério da Educação. Segundo o professor Luciano Gomes dos Santos, o parlamentar ainda precisa ampliar seu reconhecimento nacional, mas pode apresentar uma alternativa à polarização política. “Tem a possibilidade de construir uma imagem menos associada à polarização direta entre Lula e Bolsonaro, embora isso dependa de como se posicionará publicamente e de sua capacidade de ampliar alianças”, explicou Santos.
Rodrigo Prando também considera Camilo uma “possibilidade real e não raro subestimada”. O especialista lembra que o senador tem mandato até 2031, o que lhe permite trabalhar sua projeção política nos próximos anos.
João Campos, ex-prefeito do Recife, também aparece entre os possíveis sucessores. Aos 32 anos, o político do PSB disputou o governo de Pernambuco em 2026, mas perdeu para Raquel Lyra (PSD). Para o cientista político Sérgio Praça, o resultado não compromete necessariamente suas perspectivas futuras. Segundo Praça, a derrota “não faz tanta diferença” em seu potencial político, “porque ele é muito jovem e vai ter uma vida política vitoriosa mesmo se não for governador agora”.
Rodrigo Prando, por outro lado, considera que o resultado eleitoral “fere a imagem de invencível que porventura ele poderia ter”. Ainda assim, o especialista aponta a idade, a capacidade de comunicação nas redes sociais e a trajetória familiar como características favoráveis ao ex-prefeito.
Entre os outros nomes analisados estão Rui Costa, ex-governador da Bahia, e Rafael Fonteles, governador do Piauí. Para Luciano Santos, Rui “reúne experiência administrativa e articulação política”, enquanto Fonteles representa “uma geração mais jovem de gestores petistas”.
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Guilherme Boulos (PSOL) também foi incluído na análise. A professora de Ciência Política Mayra Goulart comparou sua capacidade de mobilização à de João Campos, mas apontou diferenças no alcance político dos dois. “Fala muito bem com uma base de esquerda, com jovens, mas Campos é mais capaz de atrair outras lideranças e outros segmentos”, afirmou.
O deputado federal André Janones (Rede-MG) completa a relação. Durante a campanha do segundo turno, ele criou o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, que ultrapassou 10 milhões de seguidores e ampliou sua visibilidade nacional.
Apesar da atuação nas redes sociais, Rodrigo Prando considera que o desempenho digital não é suficiente para transformar o parlamentar em uma liderança capaz de substituir Lula. “A gente tem que lembrar que mobilizar militância não é a mesma coisa que liderar um campo político, como o Lula fez”, ponderou.
Para Luciano Santos, Janones precisaria demonstrar capacidade de articulação política e administrativa antes de assumir uma eventual candidatura presidencial. “Precisaria ampliar sua atuação para além da comunicação digital, construir alianças partidárias, apresentar propostas para os principais problemas do País”, explicou.
Com o início de um novo mandato presidencial previsto para 2027, a definição de quem poderá representar o campo progressista em 2030 permanece em aberto. As avaliações dos especialistas indicam que, além da proximidade com Lula, fatores como desempenho eleitoral, capacidade de formar alianças e reconhecimento nacional deverão influenciar a escolha de um possível sucessor.















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