“Cafetina enlouqueceu”: “saldão do sexo” revela império virtual do job

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Rede digital voltada ao mercado de sexo pago anunciou desconto de 75% no acesso, reduzindo o valor de R$ 600 para R$ 150. (Foto: Instagram)

O mercado de sexo pago de altíssimo padrão no Brasil foi surpreendido por uma promoção sem precedentes: as cafetinas que comandam a prostituição VIP no país “enlouqueceram” e anunciaram o maior mega saldão do mercado do job já visto nas redes sociais. O grupo “Black List” mudou de nome e passou a se chamar apenas “Troca de informações”.

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Com o objetivo de ampliar a presença de garotas de programa nos grupos digitais, três mulheres que comandam um império virtual clandestino no WhatsApp decidiram romper com a lógica do mercado de luxo e promover uma verdadeira “Black Friday da Sacanagem”.

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O acesso completo à maior rede especializada do país, que liga modelos a agenciadores no Brasil, na Europa e no Oriente Médio, custava R$ 600 e caiu para R$ 150. A oferta, com 75% de desconto, vale estritamente até as 23h de sexta-feira (30/10).

REDE EXCLUSIVA

Em anúncio publicado em grupos ao qual a coluna Na Mira teve acesso, o trio de cafetinas foi direto ao apresentar a oferta. “Se o objetivo de modelos e garotas de programa é buscar mais oportunidades, networking de alto nível e acesso aos ‘jobs’ mais cobiçados do país, o saldão promete abrir as portas da maior rede de grupos especializados do Brasil. A adesão promocional garante entrada imediata na totalidade da estrutura digital”, diz o texto.

A rede promete oferecer castings exclusivos nacionais e internacionais, contatos diários atualizados, maior visibilidade e um ambiente organizado e seguro para fechar atendimentos de alto valor.

O pacote oferece:

• Oportunidades diárias de trabalho no Brasil e no exterior;

• Castings exclusivos com agenciadores do Brasil, da Europa e do Oriente Médio;

• Contato direto e networking com modelos e profissionais do mercado VIP;

• Acesso a 3 grupos com participação direta de clientes pagadores.

LADO OCULTO DA REDE

Por trás da agressiva promoção de “Black Friday”, as três administradoras — uma atuando de Curitiba e duas de Belo Horizonte — montaram uma estrutura fria, lucrativa e bastante disciplinada.

Identificadas pela coluna Na Mira, as comunidades que fazem parte do ecossistema conectam centenas de garotas a uma rede de 15 a 30 agenciadores parceiros. Em fóruns movimentados, como o lendário Casting Elite World, um só grupo reúne mais de 600 integrantes.

O Casting Elite World é o núcleo operacional e a principal vitrine do negócio. Ali são anunciados os serviços mais disputados, com cachês que chegam a R$ 10 mil por programa, sobretudo nos circuitos VIP de São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis, além de rotas de exportação para Dubai e capitais europeias.

Os critérios para concorrer às vagas são rígidos:

• Padrão estético severo: as candidatas precisam ser “perfeitas de rosto e corpo”, seguindo o perfil de uma modelo internacional ou figura pública;

• Restrição a intervenções visíveis: tatuagens à mostra e intervenções estéticas artificiais marcantes são proibidas. A “aparência natural” é o principal atrativo oferecido à clientela de altíssimo poder aquisitivo;

• Cobrança contínua: para entrar e manter o cadastro, é necessário pagar taxas de acesso recorrentes, cujo valor regular é de R$ 300 por garota. Assim, a plataforma se torna intermediária indispensável, diante da impossibilidade de as agências exporem publicamente suas estruturas.

TORTURA PSICOLÓGICA E EXTORSÃO

Enquanto os grupos de seleção são a vitrine reluzente do negócio, o chamado Tribunal funciona como uma câmara de tortura psicológica e controle social. A estrutura reproduz a dinâmica de um juizado sumário paralelo, sem direito à ampla defesa, no qual o trio de gestoras toma as decisões de forma estritamente monocrática.

O monitoramento indica que o “Tribunal” é acionado com frequência para calar questionamentos legítimos. Críticas à cobrança recorrente de taxas, pedidos de transparência ou tentativas de combinar atendimentos diretamente com clientes encontrados nos grupos — sem a comissão dos agenciadores parceiros — levam à exclusão imediata, sob a acusação de “traição”.

Até denúncias de abusos ou calotes cometidos por agências parceiras costumam ser usadas contra as próprias garotas, para proteger os acordos comerciais das administradoras.

TRIBUNAL

Nesse sistema, o Tribunal atua em conjunto com a Black List Nacional/Internacional. Ao contrário das listas negras tradicionais do mercado, usadas para alertar sobre clientes perigosos ou extorquistas, o cadastro da rede é utilizado para destruir reputações.

Uma modelo ouvida sob anonimato afirmou que ter o nome incluído na lista negra significa o fim definitivo da carreira: dados pessoais, contatos e fotos são enviados a agências no Brasil, na Europa e no Oriente Médio com classificações como “não confiável” ou “problemática”.

A volta ao circuito depende do pagamento de cobranças financeiras adicionais ou da aceitação de termos de trabalho unilaterais impostos pelas donas da rede.

Já conferiu todas as notas e reportagens da coluna Na Mira hoje? Acesse a coluna.

Tags: prostituição, sexo, WhatsApp

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