
Documento aponta pagamento de R$ 563,1 mil da OnilX a uma consultoria ligada a Paulo Guedes. A PF apura a relação do ex-ministro com a empresa, que nega irregularidades. (Foto: Instagram)
O ex-ministro Paulo Guedes recebeu R$ 563 mil da OnilX, empresa acusada de dar calote em dezenas de investidores. A Polícia Federal (PF) investiga Guedes e Fábio Lino de Almeida, dono da companhia, por suspeita de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
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Um documento obtido pela reportagem aponta um pagamento de R$ 563,1 mil à PG&A Consulting LTDA, que tem Paulo Guedes, a esposa e a filha entre os sócios. A quantia foi transferida por PIX, em 7 de julho deste ano, a partir da conta da ActivosX Onil OTC LTDA, cujo sócio-administrador é Fábio Lino de Almeida.
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A PF apura se Guedes deu legitimidade às operações da OnilX. O ex-ministro da Economia no governo de Jair Bolsonaro prestou consultoria à empresa, participou de reuniões estratégicas, conversou em particular com potenciais investidores e teve a imagem usada em materiais de divulgação.
A OnilX é acusada de dar calote em dezenas de investidores que aplicaram recursos em criptomoedas com a promessa de rendimentos de até 2,8% ao mês. Investidores relatam dificuldades para resgatar valores investidos em produtos ligados a criptomoedas e stablecoins e, em alguns casos, levantam suspeitas de pirâmide financeira.
A empresa também passou a enfrentar entraves regulatórios e judiciais. Em janeiro, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou a suspensão de ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários pelo grupo. Em abril, o colegiado da autarquia manteve a decisão, mas esclareceu que a medida não incluía a simples intermediação de criptoativos, como Bitcoin, Ethereum e USDT, sem promessa de rendimento ou contrato de investimento.
A relação com o ex-ministro também apareceu em processos movidos por investidores. De acordo com mensagens anexadas a uma ação, uma assessora da OnilX tentou convencer um potencial cliente a investir, mencionando a participação de Paulo Guedes no negócio. Ela afirmou que o ex-ministro “tá dentro da empresa” e que seria possível agendar uma reunião com ele para discutir estratégias, caso o interessado tivesse entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões para aplicar.
Foram identificadas 108 ações judiciais contra o grupo entre 12 de junho e 10 de setembro. A OnilX nega as acusações e diz atuar regularmente no mercado de ativos virtuais.
O QUE DIZ A ONILX
Em nota, a OnilX afirma que Paulo Guedes atuou somente como consultor da empresa, com serviços restritos a temas de macroeconomia, geopolítica e conjuntura econômica nacional e internacional.
Veja a íntegra da nota:
“A OnilX esclarece, a respeito das notícias divulgadas recentemente, que o ex-ministro da Economia Paulo Guedes atuou somente como consultor da empresa, prestando serviços exclusivamente relacionados a temas de macroeconomia, geopolítica e conjuntura econômica nacional e internacional.
Cabe ressaltar que Paulo Guedes prestou esclarecimentos à Polícia Federal na condição de testemunha, e não de investigado, sobre os fatos.
Sua atuação foi estritamente consultiva e limitada à sua reconhecida experiência profissional e acadêmica na área econômica.
A OnilX reafirma a legalidade de suas atividades e destaca que, desde o início das investigações, tem colaborado e se colocado proativamente à disposição das autoridades. A empresa também ressalta que continua cumprindo seu compromisso de pagamento aos clientes.”
Tags: economia, economia brasileira, Paulo Guedes







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