Michelle Bolsonaro relata “ataques covardes” de apoiadores de Bolsonaro

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Michelle Bolsonaro denuncia ataques de bolsonaristas e expõe divisão no PL (Foto: Instagram)

A ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, revelou em um vídeo nas redes sociais nesta quarta-feira (24/6) que foi alvo de "ataques gratuitos e covardes" de pessoas que se diziam leais ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Contudo, ela não especificou quem foram os autores das críticas.

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No vídeo, que tem pouco mais de 15 minutos, Michelle relembrou o incidente em que Jair Bolsonaro (PL) tentou violar a tornozeleira eletrônica, resultando em sua prisão na Superintendência da Polícia Federal. Ela afirmou que, após esse evento, passou a ser alvo de críticas de pessoas que se identificavam como fiéis ao ex-presidente.

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"Logo após esse dia, pessoas que se diziam fiéis ao meu marido, que se vangloriavam e lucravam por se dizerem bolsonaristas, apressaram-se em me atacar, me humilhar, dizendo que eu estaria, desculpe a palavra, cagando para o meu marido. Alguns desses influenciadores estavam nos Estados Unidos e de lá induziam pessoas ao erro e comandavam os ataques gratuitos covardes contra mim", afirmou. Ela acrescentou: "Eu não conseguia entender por que faziam aquilo comigo. Eu estava fazendo exatamente o que o meu galego me pediu para fazer. Como alguém que diz amar o líder pode atacar a esposa que está cumprindo a missão que ele determinou? Nossa vida mudou muito com a prisão do meu galego", disse.

Michelle não citou nomes no vídeo. No entanto, influenciadores bolsonaristas nos Estados Unidos, como Paulo Figueiredo, Alan dos Santos, e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, já haviam criticado publicamente a ex-primeira-dama anteriormente.

MICHELLE DIZ QUE FLÁVIO BOLSONARO A DESRESPEITOU E HUMILHOU EM LIGAÇÃO
Michelle Bolsonaro também afirmou ter sido desrespeitada e maltratada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma ligação devido ao apoio do Partido Liberal no Ceará.

"Ele retornou a ligação. Mas, sinceramente, para dizer o que disse, teria sido melhor que não tivesse ligado. Foi muito ríspido, me desrespeitou e me tratou mal ao telefone. E eu não tinha feito nada contra ele. Disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, respondi que tudo bem". Segundo Michelle, o incidente ocorreu após ela se opor à articulação do PL cearense para uma composição com Ciro Gomes já no primeiro turno da disputa estadual.

A ex-primeira-dama defende que a direita apoie a pré-candidatura do senador Eduardo Girão ao governo do estado.

CRÍTICAS À ALIANÇA COM CIRO
No vídeo, Michelle declarou que sua resistência à aproximação não é uma questão eleitoral, mas de coerência política. Ela relembrou declarações de Ciro contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e considerou contraditório que integrantes do bolsonarismo apoiem uma aliança com alguém que, segundo ela, contribuiu para a inelegibilidade do ex-chefe do Executivo.

A ex-primeira-dama ainda acusou os filhos de Bolsonaro de agirem de forma coordenada ao reagirem publicamente às suas críticas. "Os irmãos se uniram, de forma coordenada, com textos muito parecidos entre si. Parecia combinado, premeditado", afirmou.

DEFESA DE ATUAÇÃO NO PARTIDO
Ao rebater críticas de que não teria experiência política, Michelle destacou sua atuação à frente do PL Mulher.

"Sou presidente nacional do PL Mulher. Viajei o Brasil inteiro, montei diretorias nos 27 estados e no Distrito Federal, ajudei a eleger 1.005 mulheres em 2024. Mas, para ele e para alguns ao seu redor, eu não entendo de política", disse. Michelle também negou rumores de que estaria pressionando por candidaturas ou exigindo pedidos de desculpas. De acordo com ela, o conflito com Flávio começou antes de qualquer discussão sobre cargos ou projetos eleitorais e está relacionado a "respeito e consideração".

ATRITO EXPÕE DIVISÃO NO BOLSONARISMO
A crise ocorre em meio às divergências dentro do campo bolsonarista sobre a estratégia para as eleições de 2026 no Ceará.

Na semana passada, Michelle voltou a demonstrar apoio público a Eduardo Girão e afirmou que a direita não deveria fazer "aliança com o mal", declaração interpretada como uma referência à aproximação entre o PL e Ciro Gomes.

A articulação tem o apoio de André Fernandes e de aliados do ex-presidente no estado, que defendem a união de forças para enfrentar o PT. Michelle, por sua vez, sustenta que uma eventual composição com Ciro só deveria ser discutida em um eventual segundo turno.

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