
Alex Flemming ao lado de seus painéis poético-fotográficos na Estação Sumaré. (Foto: Instagram)
Responsável pela obra instalada há quase 30 anos na Estação Sumaré do metrô de São Paulo, o artista Alex Flemming continua a receber, até hoje, diversas mensagens com perguntas e elogios sobre o projeto inaugurado em 1998 na linha 2-Verde. “Tenho um imenso carinho por ela e fico muito contente ao saber que é tão querida e reconhecida pelo público”, afirmou ele ao Metrópoles durante uma visita à estação.
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A concepção da obra começou no final dos anos 1980, quando Alex participou de um concurso público que procurava artistas para criar projetos nas novas estações de metrô. Ele viu nos vidros e na iluminação da estação uma oportunidade para sua arte e um meio de retratar a população anônima da cidade.
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Nos retratos, Alex adicionou poesias de autores brasileiros renomados dos últimos cinco séculos. Pouco depois da inauguração, o Brasil celebraria os 500 anos da chegada dos portugueses. Assim, ele escolheu poesias que representam esse período, começando com José de Anchieta, no século XVI, e finalizando com Haroldo de Campos, no século XX.
As poesias estão escritas de maneira livre e não convencional, com letras inclinadas e separadas do restante da palavra. O objetivo, segundo o artista, foi dificultar a leitura para estimular que os passageiros se dediquem à obra.
Os rostos foram selecionados com base em um único critério: diversidade. Alex convidou anônimos, como o segurança do museu onde os retratos foram feitos, e usou a foto de seu próprio passaporte e de um amigo da faculdade.
Criador da galeria de arte Choque Cultural, Baixo Ribeiro contou ao Metrópoles que também recebe mensagens de amigos e conhecidos que passam pela região. “Meus netos adoram descer na estação só para tirar uma foto na frente do vovô”, brincou.
Desde a inauguração, a obra se tornou uma das paisagens mais icônicas do metrô paulista, atraindo a atenção dos milhares de passageiros que passam por ali diariamente. “Não é porque é uma obra pública que ela necessariamente seja popular. Mas esse trabalho já criou um laço afetivo com a população”, avaliou o curador.
Curiosidades sobre a Estação Sumaré:
- Inaugurada em 1998, a estação está localizada sob o viaduto da Avenida Doutor Arnaldo e sobre o vale da Avenida Paulo VI, na zona oeste de São Paulo.
- A obra de Alex Flemming foi instalada nos painéis de vidro das laterais das plataformas de embarque.
- São duas séries de 22 fotografias enfileiradas nos painéis. Cada fotografia tem 2,18 m² e inclui uma poesia de escritores brasileiros entre os séculos XVI e XX.
- Os poemas foram grafados de forma livre e não convencional, com letras deitadas e separadas do restante da palavra, para intencionalmente dificultar a leitura e incentivar a atenção dos passageiros.
- Os painéis foram fabricados na antiga Vidraria Santa Marina e fixados nos vidros através de uma técnica de serigrafia com fotolitos.
- Durante a pandemia de Covid-19, Alex participou de uma ação com o metrô cobrindo os rostos com máscaras para conscientizar a população sobre o vírus.
Mesmo aqueles que não conhecem exatamente o significado, como o montador de móveis Odair Silva, dedicam alguns minutos para observar a obra enquanto aguardam o próximo trem. “Ajuda bastante na mente da gente. Toma um tempo legal de descobrir [o que está escrito]”, comentou.
O procurador Rodrigo Vicente sempre se interessou pela obra e chegou a pesquisar algumas explicações na internet. Na opinião dele, o projeto traz leveza e poesia para o cotidiano dos passageiros. “Ajuda as pessoas a terem um minutinho nessa corrida diária para poder respirar e receber influxos de outras naturezas que não sejam do trabalho. Para isso que a arte serve também, para ajudar a gente a refletir um pouco.”







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