Igrejas Evangélicas em SP Dividem Estratégia para Eleger Mais Deputados

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Líderes evangélicos unem forças em SP para dobradas eleitorais (Foto: Instagram)

Duas das maiores denominações evangélicas do Brasil traçaram estratégias para aumentar sua representatividade na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), sem necessariamente ampliar o número de votos entre seus seguidores. A Assembleia de Deus do Brás, que atualmente conta com um deputado federal e um estadual, busca dobrar o número de eleitos. A Igreja do Evangelho Quadrangular pretende renovar seu representante federal em São Paulo e eleger dois deputados estaduais. Todos os candidatos concorrem pelo PL.

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Para alcançar esse objetivo, as duas denominações, que nas eleições de 2022 elegeram seus representantes com tranquilidade, organizaram seus templos de modo que os da capital e da Grande São Paulo votem em um candidato, enquanto os do interior apoiem outro. A intenção é que, se os votos entre os fiéis forem suficientes para eleger dois deputados ao invés de um, por que não tentar? O risco, no entanto, é que a votação diminua e nenhum dos dois candidatos seja eleito.

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O Bispo Samuel Ferreira, líder da Assembleia de Deus do Brás, lançou duas dobradas para representar a igreja ligada ao Ministério de Madureira, todos identificados. Já com mandato, Cezinha de Madureira e Oseias de Madureira são os candidatos das congregações na capital e Grande São Paulo. Rogério de Madureira e Elias de Madureira são os candidatos dos templos do interior.

Por trás dessa estratégia, segundo apuração da coluna, está uma relação ambígua com Cezinha, que está em seu segundo mandato como deputado federal e dá sinais de que pretende seguir carreira política de forma independente da AD Brás. Samuel Ferreira quer eleger Rogério de Madureira para garantir que a denominação continue representada em Brasília, evitando um rompimento público com Cezinha que não seria benéfico para nenhum dos lados neste momento.

No final de agosto, em uma rádio, o líder da Assembleia de Madureira desabafou: “Se eu pudesse, não pediria voto para ninguém. Infelizmente, não posso. Há muitas coisas que não faço por vontade, mas por obrigação. A política faz você perder amigos, companheiros, te deixa triste. Você perde pastores, filhos, pessoas desesperadas para serem reeleitas”, afirmou.

A AD Brás tem um histórico de romper com pastores eleitos. José Bittencourt representou a denominação na Alesp de 2002 a 2010, quando os Ferreira escolheram Dilmo dos Santos como candidato da igreja. Essa relação durou pouco e, em 2014, o candidato foi Cezinha, promovido a federal em 2018. Naquela eleição, a AD Brás lançou “Alex de Madureira”, que rompeu com o Bispo Samuel já em 2019 e agora é apenas “Alex Madureira” (embora esse não seja seu sobrenome) e se reelegeu como municipalista, representando a região de Piracicaba.

Durante todo esse período, a votação dos candidatos de Madureira aumentou ano após ano e, nas duas ocasiões em que houve dobrada, o mapa de votação para estadual e federal foi bastante semelhante – um indicativo de que a orientação da igreja tem sido eficaz. A proposta, no entanto, envolve uma dose considerável de ousadia. Divididos ao meio, os 140 mil votos recebidos pelos candidatos de Madureira tendem a eleger dois estaduais, mas não necessariamente serão suficientes para eleger dois federais. Há o risco de não eleger nenhum.

A Igreja do Evangelho Quadrangular decidiu não correr tanto risco. Pela sétima eleição consecutiva, a denominação apoia exclusivamente o pastor Jefferson Campos para federal, mas desta vez tem dois candidatos à Alesp: o pastor Lucas Flores para os fiéis da capital e Grande São Paulo e Suéli Gonçalves, sobrinha de Campos, para o interior.

O cálculo é que, se a Quadrangular conseguir dividir ao meio os 180 mil votos que o pastor Carlos Cezar teve em 2022, a denominação elegerá dois deputados estaduais facilmente – Cezar não concorre este ano, após deixar o mandato no ano passado para se tornar conselheiro do TCE.

Como já mostrou a coluna, a Igreja Internacional da Graça de Deus, do pastor RR Soares, lançou cinco filhos de seu líder como candidatos este ano, com dobradas em São Paulo e no Rio de Janeiro. Sua irmã, Edna Macedo (Republicanos), é irmã do bispo Edir Macedo e tenta renovar seu mandato na Alesp representando a Igreja Universal do Reino de Deus, que tem dois deputados federais por São Paulo, candidatos à reeleição: o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, e Maria Rosas (Republicanos).

O presidente do Ministério do Belém da Assembleia de Deus, José Wellington, também faz campanha pela filha, a deputada estadual Marta Costa (PSD), em dobrada com Paulo Freire (PL). O pastor Valdomiro Santiago, líder e fundador da Igreja Mundial do Poder de Deus, também tem sua dupla: o deputado estadual Rodrigo Moraes (PL), que busca o quinto mandato, e o deputado federal José Olímpio (PL), que está em seu terceiro mandato não consecutivo. Já a Renascer não tem nenhum candidato que a represente institucionalmente e apoia o deputado estadual Eduardo Nóbrega (MDB), que é membro da igreja.

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