
Em Divinópolis (MG), placa com desenho de bruxa voando em uma vassoura virou atração curiosa da cidade. (Foto: Instagram)
Belo Horizonte – Divinópolis, no Centro-Oeste mineiro, tem desde 2014 uma placa de trânsito “para bruxas”. Conforme uma das idealizadoras, o sinal quer dizer “parada obrigatória para bruxas”, embora seja uma placa invertida de “dê a preferência”, uma confusão que parece intencional.
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Em uma rua sem saída da cidade, a placa exibe um triângulo vermelho invertido com o desenho de uma bruxa voando em uma vassoura, acompanhada de seu gato preto.
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O jornalista Evandro Araújo, de Divinópolis, contou que passava pela rua sem saída em 2019 quando viu a placa. A imagem chamou sua atenção, e ele se aproximou para entender do que se tratava, encontrando o desenho da bruxa.
“Como foi um registro rápido, apenas passei e gravei. Não procurei ninguém. Entrei por acaso na rua, que não tem saída, e vi a placa. Isso foi em 2019. Na hora, não entendi muito bem. Aquilo parecia uma bruxa. E era mesmo”, relata.
Evandro achou a placa tão curiosa que decidiu gravá-la, e o vídeo teve grande repercussão. Moradores de Divinópolis que ainda não conheciam o sinal começaram a ir ao local para vê-lo e tirar fotos. “A placa de trânsito mais curiosa de Divinópolis”, escreveu ele nas redes sociais.
Ele brinca: “Mesmo com a placa de ‘preferência’, as bruxas que passarem por aqui precisam ficar atentas, porque o cruzamento é com a MG-050 e o trânsito é de alta velocidade”, alerta.
QUAL É A HISTÓRIA DA PLACA DE BRUXA?
Com a viralização do vídeo de Evandro, os detalhes sobre a história da placa foram conhecidos.
Simone Cristina, uma das idealizadoras, conta que tudo começou porque ela e algumas amigas se reuniam na rua sem saída para conversar, brincar e tomar uma cervejinha. Em certa ocasião, teve uma ideia e a dividiu com o grupo: “Gente, e se a gente fizesse uma pracinha aqui neste local?”
As amigas Mylene Miranda, Dalva Cândida, Rosa Camargos, Carminha Silva, Tânia Oliveira, Laura Oliveira, Ana Fernanda Galvão, Alexandra Galvão e Alessandra Oliveira logo apoiaram a proposta.
Ela acrescentou: “Sempre fui apaixonada por bruxas, duendes e tudo o que o imaginário permite. A ideia toda saiu da minha cabeça. Sugeri colocarmos a placa: ‘Parada obrigatória para bruxas, apesar do sinal ser de preferencial’”, explica.
INAUGURAÇÃO (E FURTOS) DA PLACA
Em 2014, o projeto foi concretizado na rua sem saída Artede Almada Alvim, no bairro Alvorada, em Divinópolis. Para inaugurar a placa e a praça, que recebeu o nome de Praça do Toco, as amigas organizaram uma grande festa, com cerca de 80 pessoas, entre amigos, vizinhos e conhecidos.
Depois disso, elas começaram a promover encontros e até fizeram uma eleição para escolher a Rainha do Toco. Vendiam rifas, como ocorre em algumas escolas, especialmente no período das festas juninas. Simone conta que foi eleita algumas vezes e continua como Rainha do Toco, mas as festas terminaram durante a pandemia, quando ela se mudou para uma fazenda.
A placa continua no local, mas não é a mesma que foi instalada na inauguração. Segundo Simone, esta é a terceira, porque as duas anteriores foram furtadas. “Roubaram a primeira. Coloquei outra, que também foi roubada. Pus mais uma. A que está lá agora é chumbada. Essa não sai de lá, só se levarem um pedaço do chão junto”, avisa Simone.
Com a pandemia, os encontros foram interrompidos e Simone também se mudou, passando a viver em uma fazenda. “Foi muito triste ter que parar tudo. Mudei o rumo da minha vida e vim morar na fazenda. Mudei completamente de caminho”, afirma.
Além disso, uma obra na rodovia alterou o local, que, segundo Simone, perdeu o clima de interior.
“Passam carros o tempo todo, caminhões, há buzinas. Antes era tranquilo, era onde fazíamos nossas festas. Às vezes, quando percebíamos, o céu já estava clareando. ‘Gente do céu, temos que ir embora, juntar as coisas’, porque a gente nem via o tempo passar”, lembra.
DIA DAS BRUXAS
No dia 31 de outubro, Dia das Bruxas, Simone diz que é uma bruxa, mas ressalta que é uma “bruxa do bem”.
“Sou uma bruxa, sim. Tenho caldeirão, tenho gato preto, faço mandinga, mas todas as minhas mandingas são para o bem. Não adianta me procurar para fazer mandinga para amaldiçoar, atrapalhar ou prejudicar. Quando a gente tem o dom de fazer o bem e levar alegria, precisa usá-lo”, pondera.
Para quem ainda não conhece a placa em Divinópolis, o jornalista conta que passou recentemente pelo local e que ela continua no mesmo lugar.
Quem sabe, neste dia 31 de outubro, as bruxas não se reúnem por lá?
Tags: Minas Gerais, Divinópolis, bruxas, placa de trânsito







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