
Formação de jatos de combate destaca avanços da biomimética na engenharia aeronáutica (Foto: Instagram)
A engenharia contemporânea tem utilizado estratégias desenvolvidas ao longo de bilhões de anos de evolução para melhorar o design de trens, aviões e tecidos, buscando eficiência e sustentabilidade industrial. Essa prática, chamada biomimética, se baseia na ideia de que os seres vivos resolvem problemas físicos e estruturais através de um rigoroso processo de seleção natural.
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“A anatomia dos animais resulta de muitos anos de seleção natural, que atua sobre seus corpos, propagando as formas eficazes e eliminando as menos eficientes. Por isso, as formas naturais são tão próximas da eficiência máxima”, explica Eduardo Bessa, professor de Biologia da Universidade de Brasília (UnB).
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No setor aeroespacial e de transportes, essa observação já gerou inovações notáveis. Por exemplo, o design de jatos comerciais modernos incorpora pontas de asas curvadas para cima, inspiradas na redução de vórtex observada em aves. Similarmente, trens de alta velocidade foram projetados com base na mecânica corporal de aves adaptadas para minimizar a resistência do ar.
Além de otimizar o desempenho aerodinâmico, a biomimética oferece caminhos para processos industriais menos poluentes. Enquanto a indústria frequentemente opera com altas temperaturas e pressões elevadas, os organismos vivos funcionam sob condições termodinâmicas básicas.
“A natureza economiza energia a todo custo. Ela é muito eficiente em economizar energia, pois não tem energia para desperdiçar”, afirma Marília Sonego, engenheira de materiais e professora da Universidade Federal de Itajubá, apoiada pelo Instituto Serrapilheira.
A especialista destaca que os seres vivos trabalham em temperatura ambiente, com soluções aquosas e estruturas construídas camada por camada, resultando em ciclos totalmente reaproveitáveis.
Apesar dos avanços históricos, como o velcro inspirado em carrapichos e tecidos tecnológicos baseados na pele de tubarões, a integração entre o conhecimento biológico e o desenvolvimento tecnológico ainda enfrenta barreiras. Segundo especialistas, a principal dificuldade está na comunicação entre áreas distintas.
“Os engenheiros conhecem o problema e os biólogos conhecem a solução. E essas pessoas não conversam. Cada um tem um idioma diferente, basicamente”, pontua Marília, destacando a falta de profissionais focados em descrever novas estruturas naturais no país.
Para Bessa, incentivar a curiosidade científica livre é essencial para descobrir futuras tecnologias, já que a maioria das inovações surge de descobertas casuais e não de pesquisas aplicadas imediatas. Os pesquisadores enfatizam que a rica biodiversidade brasileira representa um campo vasto e ainda subaproveitado para a inovação tecnológica global.







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